Quando fiquei sabendo do texto de Adorno, acerca de seu estudo sobre a educação que levou a humanidade ao Holocausto, queria que todos tivessem acesso a esse texto e a essa reflexão. Nossa educação passa por essa intolerância e é interessante que se conheçam os caminhos que ajudaram para que essa barbárie tenha acontecido e também para que não ocorra novamente.
No texto, uma educação além do narcisismo...há uma reflexão sobre essa educação que leva o indivíduo a não ir além do seu próprio umbigo, achando que não existe nada além de suas necessidades.
Quando se fala em inclusão, pensa-se de imediato numa deficiência, mas diante da notícia que o Estadão publicou domingo sobre uma jornalista que estava trabalhando no Egito, cobrindo um incidente e que, num aglomerado de pessoas, foi envolvida na multidão e levada a um canto, onde foi estuprada. Foi salva porque algumas mulheres viram e começaram a gritar e ela acabou saindo daquela situação. Agora, refletindo, quase toda ação que envolve a presença da mulher pode levar ao abuso sexual. É chocante que em pleno século 21 existam homens em estado tão primitivo que se acham no direito de pegar a fêmea que quiser e copular com ela, com aprovação ou não. Isso em termos de relacionamento animal, de bicho para bicho e não de ser humano, que envolve respeito, dignidade, ética e, além de tudo, a questão de relacionamento envolve o ser aceito ou não, o querer estar com alguém.
Mesmo quando não se chega às vias de fato, tal atitude humilha e expõe o gênero feminino a situações que denigrem a sua imagem;...como em outro caso recente em que uma policial teve as calças arrancadas por outros colegas homens que procuravam por dinheiro que ela teria recebido; note-se que ela não se recusava a ser revistada, desde que por uma mulher. Não adiantou! Ela foi brutalmente agarrada e teve as calças arrancadas na frente de todos e tudo foi filmado para que o vexame fosse maior. Estamos em pleno século 21 e ainda vemos repetidos esses comportamentos em que o “gênero dominante” se acha no direito de se sobrepor a quem é considerado inferior. Que educação é essa que, se não é totalmente responsável por absurdos dessa natureza, é compactuante e se serve desse poder para fazer, no mínimo, o que no fundo concorda.
(.trecho da repostagem...)
"Há ainda os que culparam a própria Lara pela agressão. Nessa linha, o comentarista conservador Jim Hoft perguntou: por que essa mulher loira e atraente perambulava pela Praça Tahrir? "Foi sua mentalidade liberal que quase a matou. Essa repórter nunca mais será igual." Numa enquete da Approval Pools, 4.100 pessoas, 51% do total, acharam que a jornalista era mesmo a responsável pelo próprio martírio. Por fim, uma avalanche de críticas despencou sobre os cabeças das empresas de jornalismo, que não fariam o suficiente para assegurar a integridade de seus profissionais no fogo cruzado da notícia. "
É lamentável que situações constrangedoras assim ainda ocorram. Independente do gênero precisamos aprender que respeitar o outro, seja no modo de ser, pensar, agir, etc, é respeitar a si mesmo. Quem tem práticas que não respeita o outro não respeita e ainda não conhece a si mesmo.
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