Enquanto alguns professores não assumirem os alunos que estão em suas classes para serem incluidos, esses alunos passarão ano após ano em um canto da sala, sem participarem da dinâmica da sala de aula. Este ano, em sala de recurso, observo que alguns alunos, mesmo hoje, com todas as informações que temos sobre inclusão,ficam em sala de aula sem participarem.A professora delega a substituta que está fazendo um trabalho colaborativo toda a responsabilidade quanto as atividades e aplicação das mesma para esse aluno.
Esse aluno tem paralisia e parece entender o que falamos pois sorri e tenta ver o que está acontecendo, e também tenta participar da atividade, ele tenta movimentar a mão ou olharpara o que está acontecendo, e chora quando é tirado de perto dos amigos que estão conversando ou brincando.
Fica dificil a inclusão, quando se argumenta que não estudou para isso ou que o outro ganha mais para fazer esse trabalho,mas infelizmente ainda nos deparamos com essa falta de compromisso e responsabilidade.
Já escutei discurso de professores que assumiram o compromisso e não admitem que o aluno seja tratado diferente, porque ele faz parte da sala, isso me emociona, fico feliz, porque é muito triste ver uma pessoa não ser incluida em um espaço que por direito é seu......
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segunda-feira, 28 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
sábado, 26 de março de 2011
Novos blogs
Comecei a observar os blogs que estou seguindo, e o meu parece tão pobre em conteúdo. Percebo que hoje em dia o blog tornou-se o diário de antigamente...interessante!!!!!
Preciso adquirir essa rotina de estar sempre acrescentando material novo....estou aprendendo.....
Preciso adquirir essa rotina de estar sempre acrescentando material novo....estou aprendendo.....
segunda-feira, 21 de março de 2011
Artur Bispo do Rosário
retornando ao tema bordado e ao Bispo
Profeta, louco, iluminado, pugilista, marinheiro e artista. Arthur Bispo do Rosário foi muito além, navegou mares distantes, avançando ao ilimitado. Transformou seus delírios em arte, e a arte em vida
Ao ser questionado sobre suas raízes, família e cultura, Arthur Bispo do Rosário tinha por hábito responder: “Um dia eu simplesmente apareci no mundo”. Ele acreditava ser o filho de Deus, adotado pela Virgem Maria e “aparecido” no mundo em seus braços.
Muitas controvérsias giram em torno de suas origens, mas pouco importa isso. Entre uma massa de anônimos, Bispo foi o “escolhido”. “Um dia, designado ´rei dos reis´ por seres luminosos, ele teceria o próprio manto, vermelho, salpicado de bordados, se faria coroar e protagonizaria a própria via sacra”.

Inspirada pelo drama existencial desse homem ligado ao devaneio, ao sonho e ao numinoso, a professora doutora em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Marta Dantas desenvolveu a tese de doutorado “Arthur Bispo do Rosário – A poética do delírio”. Recentemente transformada em livro e publicada pela editora Unesp.
A autora lança um olhar minucioso e sensível sobre a relação da arte com a loucura na produção de Bispo do Rosário. O que conduz à questão ainda mais complexa e inevitável da relação entre arte e vida.
Do mundo mítico e sagrado do artista, Dantas analisou os elementos que compõem a sua “poética do delírio”. E, assim, articulando conhecimentos das Ciências Humanas, Estética e História da Arte, a obra transcende convencionalismos, deixando de ser um simples registro biográfico.
Em busca das interpretações do imaginário coletivo, a pesquisadora trabalha justamente com o desvio da racionalidade artística e o entrelaçamento da obra com a vida. De acordo com ela, “muitas vezes, a experiência artística nasce da interrogação da vida pela perspectiva da morte. Para recuperar a história desse artista é preciso falar da morte, ou melhor, analisar a sua atitude perante a finitude da vida nos dará a dimensão da relação que sua obra tem com a vida, pois ela nada mais é do que a finitude desta se abrindo para a infinitude da arte”.
O profeta
Sergipano descendente de negros católicos, Arthur Bispo do Rosário cresceu num ambiente cercado por beatas, rituais, rosários, pecados e, sobretudo, pelo sentimento de culpa.
“Muitos anos mais tarde, ele se faria adotar por Maria, emagreceria em repetidos jejuns para virar santo, juraria que uma cruz lhe marcava as costas, confeccionaria um novo mundo para apresentar ao Todo-Poderoso na audiência final. Era essa a sua missão. A missão de Arthur. Arthur Jesus, assinaria ele em certas obras. O filho de Maria e de Blandina Francisca de Jesus”, explica a historiadora.
Aos 29 anos, Bispo do Rosário caiu nos braços tortuosos da “esquizofrenia-paranóide”. Nesse momento, “sete anjos lhe anunciaram que havia sido escolhido por Deus para julgar os bons e os maus e para recriar o mundo para o Dia do Juízo Final”. Sua vida mudou… Desligou-se dessa realidade.
Em meio a alucinações e internamentos em instituições psiquiátricas, como a Colônia Juliano Moreira, no bairro carioca de Jacarepaguá, o artista, que se dizia guiado por “vozes sagradas”, mergulhou num trabalho de criação que só teve fim com a sua morte, em 1989.
Num conjunto de mais 800 peças, composto por objetos como miniaturas, escritos, vestimentas, bordados e seu principal trabalho, o “Manto da apresentação”, Bispo jorrava criatividade em estado puro, sem nenhuma sistematização ou disciplina. Como registra o crítico de arte Ivo Mesquita: “Ele, no interior de sua cela, desfiava seus uniformes de interno para obter fios azuis desbotados com os quais bordava sua cartografia, mumificava os objetos do seu cotidiano. O artista desnuda-se, despoja-se para dar existência à obra, assinalando a transitoriedade do corpo em oposição à permanência do trabalho”.
Bispo chamava a atenção dos “homens de capa branca” (apelido referido aos médicos), não só pela singularidade de sua poética, mas também pela profundidade e sabedoria de algumas de suas reflexões. Das mais emblemáticas, destaca-se o pensamento do artista sobre o que é ser louco: “Os loucos são como beija-flores: nunca pousam, ficam a dois metros do chão”.
Segundo Marta Dantas, Bispo não desenhou, não pintou e nem esculpiu. Ou seja, não se debruçou sobre nenhuma das atividades expressivas das artes plásticas, mas bordou, costurou, pregou, colou, talhou ou simplesmente compôs através de objetos já prontos. Descobria beleza naquilo onde, aparentemente, não existia.
“Transfigurar a dor em arte, criar o mundo conforme seu desejo, significou, para Bispo, a criação de uma nova interpretação da ´realidade´, a transformação de si mesmo em ´homus religiosus´ e trágico e, ainda, a fundação de uma moradia sagrada, porque não é possível criar um novo universo senão partindo de um ponto fixo, do mundo profano. Por isso, ele fez dos lugares onde morou (quartos, sótão, celas) templos nos quais, longe dos olhares curiosos e profanos, se escondiam os mistérios de um outro mundo em formação”, finaliza
http://www.substantivoplural.com.br/a-mitopoetica-de-bispo/
Bispo com seu "Manto da Apresentação", fiquei devendo essa foto na última postagem...
A mitopoética de Bispo
-Por nina rizzi
Profeta, louco, iluminado, pugilista, marinheiro e artista. Arthur Bispo do Rosário foi muito além, navegou mares distantes, avançando ao ilimitado. Transformou seus delírios em arte, e a arte em vidaAo ser questionado sobre suas raízes, família e cultura, Arthur Bispo do Rosário tinha por hábito responder: “Um dia eu simplesmente apareci no mundo”. Ele acreditava ser o filho de Deus, adotado pela Virgem Maria e “aparecido” no mundo em seus braços.
Muitas controvérsias giram em torno de suas origens, mas pouco importa isso. Entre uma massa de anônimos, Bispo foi o “escolhido”. “Um dia, designado ´rei dos reis´ por seres luminosos, ele teceria o próprio manto, vermelho, salpicado de bordados, se faria coroar e protagonizaria a própria via sacra”.

Inspirada pelo drama existencial desse homem ligado ao devaneio, ao sonho e ao numinoso, a professora doutora em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Marta Dantas desenvolveu a tese de doutorado “Arthur Bispo do Rosário – A poética do delírio”. Recentemente transformada em livro e publicada pela editora Unesp.
A autora lança um olhar minucioso e sensível sobre a relação da arte com a loucura na produção de Bispo do Rosário. O que conduz à questão ainda mais complexa e inevitável da relação entre arte e vida.
Do mundo mítico e sagrado do artista, Dantas analisou os elementos que compõem a sua “poética do delírio”. E, assim, articulando conhecimentos das Ciências Humanas, Estética e História da Arte, a obra transcende convencionalismos, deixando de ser um simples registro biográfico.
Em busca das interpretações do imaginário coletivo, a pesquisadora trabalha justamente com o desvio da racionalidade artística e o entrelaçamento da obra com a vida. De acordo com ela, “muitas vezes, a experiência artística nasce da interrogação da vida pela perspectiva da morte. Para recuperar a história desse artista é preciso falar da morte, ou melhor, analisar a sua atitude perante a finitude da vida nos dará a dimensão da relação que sua obra tem com a vida, pois ela nada mais é do que a finitude desta se abrindo para a infinitude da arte”.
O profeta
Sergipano descendente de negros católicos, Arthur Bispo do Rosário cresceu num ambiente cercado por beatas, rituais, rosários, pecados e, sobretudo, pelo sentimento de culpa.
“Muitos anos mais tarde, ele se faria adotar por Maria, emagreceria em repetidos jejuns para virar santo, juraria que uma cruz lhe marcava as costas, confeccionaria um novo mundo para apresentar ao Todo-Poderoso na audiência final. Era essa a sua missão. A missão de Arthur. Arthur Jesus, assinaria ele em certas obras. O filho de Maria e de Blandina Francisca de Jesus”, explica a historiadora.
Aos 29 anos, Bispo do Rosário caiu nos braços tortuosos da “esquizofrenia-paranóide”. Nesse momento, “sete anjos lhe anunciaram que havia sido escolhido por Deus para julgar os bons e os maus e para recriar o mundo para o Dia do Juízo Final”. Sua vida mudou… Desligou-se dessa realidade.
Em meio a alucinações e internamentos em instituições psiquiátricas, como a Colônia Juliano Moreira, no bairro carioca de Jacarepaguá, o artista, que se dizia guiado por “vozes sagradas”, mergulhou num trabalho de criação que só teve fim com a sua morte, em 1989.
Num conjunto de mais 800 peças, composto por objetos como miniaturas, escritos, vestimentas, bordados e seu principal trabalho, o “Manto da apresentação”, Bispo jorrava criatividade em estado puro, sem nenhuma sistematização ou disciplina. Como registra o crítico de arte Ivo Mesquita: “Ele, no interior de sua cela, desfiava seus uniformes de interno para obter fios azuis desbotados com os quais bordava sua cartografia, mumificava os objetos do seu cotidiano. O artista desnuda-se, despoja-se para dar existência à obra, assinalando a transitoriedade do corpo em oposição à permanência do trabalho”.
Bispo chamava a atenção dos “homens de capa branca” (apelido referido aos médicos), não só pela singularidade de sua poética, mas também pela profundidade e sabedoria de algumas de suas reflexões. Das mais emblemáticas, destaca-se o pensamento do artista sobre o que é ser louco: “Os loucos são como beija-flores: nunca pousam, ficam a dois metros do chão”.
Segundo Marta Dantas, Bispo não desenhou, não pintou e nem esculpiu. Ou seja, não se debruçou sobre nenhuma das atividades expressivas das artes plásticas, mas bordou, costurou, pregou, colou, talhou ou simplesmente compôs através de objetos já prontos. Descobria beleza naquilo onde, aparentemente, não existia.
“Transfigurar a dor em arte, criar o mundo conforme seu desejo, significou, para Bispo, a criação de uma nova interpretação da ´realidade´, a transformação de si mesmo em ´homus religiosus´ e trágico e, ainda, a fundação de uma moradia sagrada, porque não é possível criar um novo universo senão partindo de um ponto fixo, do mundo profano. Por isso, ele fez dos lugares onde morou (quartos, sótão, celas) templos nos quais, longe dos olhares curiosos e profanos, se escondiam os mistérios de um outro mundo em formação”, finaliza
http://www.substantivoplural.com.br/a-mitopoetica-de-bispo/
terça-feira, 15 de março de 2011
UM JEITO DIFERENTE DE CONTAR Histórias.....
Um jeito diferente de contar histórias é através do bordado, mulheres fazem o resgate de suas vidas.
Mas para quem pensa que bordado é coisa de mulher temos alguns artistas que usam essa técnica para se expressar, entre eles Leonilson e Bispo do Rosário com seu manto todo bordado com restos de linhas de uniformes da Colônia desfiados. Bispo era esquizofrênico e vivia na Colônia Juliano Moreira,durante esse tempo ele confeccionou várias peças bordadas entre elas o Manto da Apresentação, espécie de mortalha sagrada que bordaria durante toda a vida para vestir no dia da apresentação, no Juízo Final, na data de sua passagem . Bordados neste manto, estariam todos os nomes de pessoas que ele julgava merecedoras de subir, de carona, rumo ao além. Bispo utilizou a mesma técnica de bordado nas obras depois chamadas de estandartes:lençóis e cobertores da Colônia bordados a mão com as linhas dos uniformes .
ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO: O ILUSTRE DESCONHECIDO
No ano em que se comemora o centenário de nascimento e vinte anos de sua morte, espera-se que o Brasil promova uma programação digna da obra artística de Arthur Bispo do Rosário. Espera-se, principalmente, que Sergipe, seu estado natal, faça a sua parte.
Este artigo, estruturado em duas partes, cuja primeira você lê agora, é uma pequena contribuição nas iniciativas alusivas à data.
Arthur Bispo do Rosário é considerado pela crítica um dos principais artistas brasileiros do século XX, saudado nacional e internacionalmente, mas apreciado por um público ainda restrito a intelectuais.
Um dos motivos mais significativos para o reconhecimento de sua importância é que Bispo do Rosário foi um artista de vanguarda, de forma absolutamente intuitiva, sem receber qualquer treinamento técnico, conviver com outros artistas, ler livros especializados ou frequentar espaços de arte.
Começou a produzir, de forma praticamente ininterrupta, a partir dos anos 40, e nesse trabalho incluiu elementos pop, movimento estético que só surgiria na Inglaterra por volta da década de 1960.
Sua genialidade expressa-se na forma como trabalha os elementos, os novos suportes utilizados, a configuração contemporânea de sua arte, a harmonia do conjunto das peças.
Arthur Bispo foi redescoberto a partir do trabalho do crítico Frederico Morais na década de 80, que organizou uma exposição e lançou uma possibilidade de compreensão e sistematização do conjunto da obra. Todavia, Rosário é desconhecido pela maioria do público brasileiro e, curiosamente, também em sua terra natal, Sergipe.
Pode-se pensar, afinal, que muitos grandes artistas plásticos são desconhecidos do grande público no Brasil, pelas características da formação e desenvolvimento educacional da população do país. No caso de Rosário, o que surpreende é que sua obra seja fácil de agradar qualquer observador.
Isso se deve a presença de um forte resultado lúdico nas peças, pelo colorido, formas, referências e pelos brinquedos que elaborou. Ademais a utilização de materiais e objetos do cotidiano possibilita que o apreciador se identifique.
Após o impacto inicial das primeiras exposições, foram escritos artigos, ensaios e trabalhos científicos diversos. Bispo do Rosário virou livro, peça de teatro e vai virar filme este ano, pelas mãos do cineasta Geraldo Motta. Muito ainda terá que ser feito para revelar a grandiosidade de sua produção artística.
NEGRO, POBRE, LOUCO
Arthur Bispo do Rosário, nasceu em Japaratuba – SE, no ano de 1909 (ou 1911, não se sabe ao certo), descendente de escravos africanos.
Em 1925, muda-se para o Rio de Janeiro e torna-se marinheiro. Foi campeão brasileiro e sul-americano de boxe na categoria peso leve pela Marinha.
Em seguida, passa a trabalhar na Light, empresa carioca de fornecimento de energia, e como lavador de bonde e borracheiro. Sofre um acidente de trabalho e resolve ajuizar uma ação contra a empresa, ocasião em que conhece o advogado Humberto Leoni, que passa a representá-lo na demanda judicial.
Começa a trabalhar na casa do advogado, como empregado doméstico, fazendo serviços diversos e residindo no local.
Na noite de 22 de dezembro de 1938, procura o patrão motivado por alucinações que lhe diziam que deveria apresentar-se à Igreja da Candelária. Peregrina pelas ruas, dirigindo-se a várias igrejas. Por fim, chega ao Mosteiro de São Bento, onde declara aos monges ser um enviado de Deus, incumbido da tarefa de julgar os vivos e os mortos.
É preso como indigente e demente, sendo conduzido ao Hospital dos Alienados, um hospício situado na Praia Vermelha. Um mês depois, é transferido para a Colônia Juliano Moreira, no bairro de Jacarepaguá, onde permaneceria por cerca de cinqüenta anos.
Foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóide - que é um dos quatro tipos principais dessa patologia -, caracterizada pela ocorrência de visões, alucinações, sentimentos de perseguição e em que é comum o doente escutar vozes (FRANÇA, 2007).
A partir desse período, começa a produzir seu trabalho artístico, motivado por um pedido de Deus para que reconstruísse o universo e registrasse a passagem divina pela terra.
Aí, começa a história de Bispo do Rosário como artista plástico.
Estima-se que elaborou cerca de 1.000 peças, que permaneceram como propriedade da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, hoje desativada comoo instituição manicomial e transformada no Museu Arthur Bispo do Rosário.
Bispo faleceu em 1989.
Este artigo, estruturado em duas partes, cuja primeira você lê agora, é uma pequena contribuição nas iniciativas alusivas à data.
Arthur Bispo do Rosário é considerado pela crítica um dos principais artistas brasileiros do século XX, saudado nacional e internacionalmente, mas apreciado por um público ainda restrito a intelectuais.
Um dos motivos mais significativos para o reconhecimento de sua importância é que Bispo do Rosário foi um artista de vanguarda, de forma absolutamente intuitiva, sem receber qualquer treinamento técnico, conviver com outros artistas, ler livros especializados ou frequentar espaços de arte.
Começou a produzir, de forma praticamente ininterrupta, a partir dos anos 40, e nesse trabalho incluiu elementos pop, movimento estético que só surgiria na Inglaterra por volta da década de 1960.
Sua genialidade expressa-se na forma como trabalha os elementos, os novos suportes utilizados, a configuração contemporânea de sua arte, a harmonia do conjunto das peças.
Arthur Bispo foi redescoberto a partir do trabalho do crítico Frederico Morais na década de 80, que organizou uma exposição e lançou uma possibilidade de compreensão e sistematização do conjunto da obra. Todavia, Rosário é desconhecido pela maioria do público brasileiro e, curiosamente, também em sua terra natal, Sergipe.
Pode-se pensar, afinal, que muitos grandes artistas plásticos são desconhecidos do grande público no Brasil, pelas características da formação e desenvolvimento educacional da população do país. No caso de Rosário, o que surpreende é que sua obra seja fácil de agradar qualquer observador.
Isso se deve a presença de um forte resultado lúdico nas peças, pelo colorido, formas, referências e pelos brinquedos que elaborou. Ademais a utilização de materiais e objetos do cotidiano possibilita que o apreciador se identifique.
Após o impacto inicial das primeiras exposições, foram escritos artigos, ensaios e trabalhos científicos diversos. Bispo do Rosário virou livro, peça de teatro e vai virar filme este ano, pelas mãos do cineasta Geraldo Motta. Muito ainda terá que ser feito para revelar a grandiosidade de sua produção artística.
NEGRO, POBRE, LOUCO
Arthur Bispo do Rosário, nasceu em Japaratuba – SE, no ano de 1909 (ou 1911, não se sabe ao certo), descendente de escravos africanos.
Em 1925, muda-se para o Rio de Janeiro e torna-se marinheiro. Foi campeão brasileiro e sul-americano de boxe na categoria peso leve pela Marinha.
Em seguida, passa a trabalhar na Light, empresa carioca de fornecimento de energia, e como lavador de bonde e borracheiro. Sofre um acidente de trabalho e resolve ajuizar uma ação contra a empresa, ocasião em que conhece o advogado Humberto Leoni, que passa a representá-lo na demanda judicial.
Começa a trabalhar na casa do advogado, como empregado doméstico, fazendo serviços diversos e residindo no local.
Na noite de 22 de dezembro de 1938, procura o patrão motivado por alucinações que lhe diziam que deveria apresentar-se à Igreja da Candelária. Peregrina pelas ruas, dirigindo-se a várias igrejas. Por fim, chega ao Mosteiro de São Bento, onde declara aos monges ser um enviado de Deus, incumbido da tarefa de julgar os vivos e os mortos.
É preso como indigente e demente, sendo conduzido ao Hospital dos Alienados, um hospício situado na Praia Vermelha. Um mês depois, é transferido para a Colônia Juliano Moreira, no bairro de Jacarepaguá, onde permaneceria por cerca de cinqüenta anos.
Foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóide - que é um dos quatro tipos principais dessa patologia -, caracterizada pela ocorrência de visões, alucinações, sentimentos de perseguição e em que é comum o doente escutar vozes (FRANÇA, 2007).
A partir desse período, começa a produzir seu trabalho artístico, motivado por um pedido de Deus para que reconstruísse o universo e registrasse a passagem divina pela terra.
Aí, começa a história de Bispo do Rosário como artista plástico.
Estima-se que elaborou cerca de 1.000 peças, que permaneceram como propriedade da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, hoje desativada comoo instituição manicomial e transformada no Museu Arthur Bispo do Rosário.
Bispo faleceu em 1989.
BORDANDO PASSADO E PRESENTE
O Ceará é famoso pela tradição do bordado e várias comunidades quilombolas no Estado são responsáveis por preservar a arte de tecer. A trama das peças, produzidas quase que exclusivamente por mulheres, foram ensinamentos passados pelos antepassados, formando várias gerações de rendeiras.
Rafaélla Xavier Soares, 18 anos, mora em Aquiraz, município da região metropolitana, distante 27 quilômetros de Fortaleza, mais precisamente na comunidade de Lagoa de Ramos. Lá, descobriu-se quilombola há menos de dois anos. “Nunca tinha ouvido falar em quilombos antes. Ouvi muito os mais velhos contando histórias sobre os primeiros moradores daqui, mas não sabia que eles eram escravos que lutavam pela liberdade”, conta ela.
Antes dessa revelação, porém, a jovem já cultivava a tradição do bordado, passado para ela pelas mais velhas da família. “Minha avó já fazia renda, ensinou para minha mãe e eu aprendi com elas. Sempre achei muito bonito”, diz Rafaélla, confirmando a resistência de várias gerações. “Assim como eu, tem muita gente jovem que vive do bordado.”
O produto é, junto da agricultura e da pesca, uma das fontes de sustento de diversas localidades cearenses e virou uma alternativa para as mulheres das comunidades litorâneas, enquanto esperavam seus maridos voltarem da pesca, que durava vários dias.
O artesanato da região se caracteriza por formas geométricas criadas em peças de linho. O tecido recebe uma espécie de goma para ficar mais rígido e depois é trabalhado à mão, seja cortando, desfiando ou cozendo, dependendo do efeito que se queira dar à renda.
Essa técnica, que também é conhecida por labirinto, faz muito sucesso entre os que visitam o Estado. “Tem gente que acha que a gente trabalha com máquina (de costura) de tão bom que fica o bordado”, lembra Rafaélla.
Segundo ela, o preço das peças pode variar de R$ 5 a R$ 300, dependendo do tamanho e do desenho. “A gente trabalha também com crochê e chega a ficar mais de um mês fazendo uma colcha de casal”, completa.
Ao contar como é a vida no local onde vive, Rafaélla acabou revelando muita influência dos antepassados negros no artesanato feito na região. “Nas comunidades de Lagoa de Ramos e Goiabeiras (outro remanescente de quilombo em Aquiraz), que fica próximo de lá, o bordado é muito bem feito e tem muita gente que vive disso”, comenta ela.
08/03/2011 - 07h03Exposição reúne várias vertentes do artista cearense Leonilson
SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Numa pintura de 1989, Leonilson construiu uma cartografia de rios que deságuam num círculo vermelho, entre eles o Tietê, o Paranapiacaba e outros braços que se chamam "Confusão", "Olhar Fundo", além de um lago azul de nome "Desejo".
Veja galeria de fotos com obras de Leonilson
Se fosse um autorretrato, algumas veias no mapa seriam Bispo do Rosário e Lygia Clark. Ele, pela loucura que guia a agulha nos traços e palavras dos bordados. Ela, pela dimensão cromática e do corpo que soube arquitetar com potência em sua obra.
Na exposição que o Itaú Cultural abre no próximo dia 16, em São Paulo, essas múltiplas vertentes da obra do artista aparecem costuradas pela leitura de seus trabalhos como repetidas e duras manifestações autobiográficas.
Leonilson, agora na maior mostra já dedicada à sua obra, é visto como o produto sofrido da solidão em mais de 300 trabalhos que construiu em sua curta carreira, abreviada pela morte aos 36 anos, por causa da Aids.
| Divulgação | ||
![]() | ||
| O artista plástico cearense Leonilson, morto em 1993, que é tema de retrospectiva no Itaú Cultural, em São Paulo |
DESPEDIDA
Embora descrito como sujeito "sempre apaixonado" pelo curador da mostra Ricardo Resende, essa leitura do artista abalado pelo peso do mundo também ressurge na retrospectiva como ser fragmentário, um neorromântico que foi ao mesmo tempo espelho de sua época.
No momento em que abandona, por uma alergia aos pigmentos, as pinturas em grande escala, que o fizeram despontar na chamada geração 80 ao lado de figuras como Leda Catunda e Sergio Romagnolo, Leonilson fez como espécie de despedida o trabalho dos rios, em que se colocou no centro de um forte turbilhão de influências.
Depois disso, sua obra se volta para pequenos desenhos e bordados delicados, que desafiam a escala dos espaços expositivos.
Não por acaso, esse momento é 1989, ano da queda do Muro de Berlim, do fim das utopias e perto da descoberta da doença que tiraria sua vida --ele chegou a se referir à Aids como "peste".
CRONISTA DA ÉPOCA
Tem uma coisa solene na obra dele", diz à Folha a curadora Lisette Lagnado, autora de "São Tantas as Verdades", livro que virou referência sobre o artista. "Mas, de fato, a atmosfera dessa época transparece no que ele vai escrever, no que estava acontecendo, ele foi um cronista."
Lagnado chama esse período de "grande ressaca" que veio depois do desbunde das conquistas sociais e políticas dos anos 80, de uma democracia em construção e seus valores mais flexíveis.
Na obra de Leonilson, são trabalhos como o bordado em que escreve numa fronha a palavra "ninguém". Ou a peça em que costura quatro quadrados de cor que chama de cheios e vazios, como um pulmão que respira movido por intervalos cromáticos.
"Não deixa de ser um retrato do corpo do artista, a respiração, algo que fala sobre estar vivo", diz o curador Ricardo Resende. "Ele foi muito solitário, tímido, mas essa solidão é também um espelhamento do homem contemporâneo, são sentimentos que tocam todos."
De fato, Leonilson se via um pouco com o rosto de sua época mais do que o homem específico que sofria em carne viva.
No trabalho mais antigo da mostra, um autorretrato, constrói uma caixa de madeira com tampo de vidro. Deixa ver dentro um pedaço de feltro com a inscrição "Mirro", referência à palavra francesa para "espelho".
É como se ele fosse ao mesmo tempo esse "homem contemporâneo", com o rosto anônimo de quem vê a obra.
"Por isso eu defendi com muito ardor o trabalho dele", lembra Sheila Leirner, que escalou Leonilson para a Bienal de São Paulo em 1985. "Senti que tinha uma grande verdade no trabalho dele."
Obra montada pela primeira vez naquela Bienal, "A Grande Pensadora" será reconstruída agora para a mostra do Itaú Cultural. É um símbolo do infinito estampado no chão, um globo terrestre sobre uma base encimado ainda por uma biruta que mostra a direção dos ventos.
Deixa ver que nas pinturas, nos desenhos e nos bordados, Leonilson se deixou levar por vários entroncamentos e rotas desde o início.
LEONILSON
QUANDO abertura dia 16, às 20h; de ter. a sex., das 9h às 20h; sáb. e dom., das 11h às 20h; até 29/5
ONDE Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 0/xx/11/2168-1776)
QUANTO grátis
domingo, 13 de março de 2011
Sim, a mulher pode!!!!!
Ciça Vallerio, de O Estado de S.Paulo

RICARDO STUCKERT FILHO/DIVULGAÇÃO
Dilma Rousseff, eleita com 65 milhões de votos
Apesar do número singelo, se confrontado aos 37 ministérios, o Brasil possui o quadro político mais feminino de sua história. "É um marco que põe luz sobre a força da mulher brasileira e sua capacidade para acabar com um conjunto de práticas discriminatórias e desigualdades", diz a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ela e as outras ministras falaram com exclusividade ao Feminino sobre essa nova fase da República. Com problemas de agenda, Dilma não pôde dar entrevista.
No segundo escalão, revela a ministra Iriny, os cargos preenchidos por mulheres cresceram 75%. Paralelamente à política, a presidente - ou presidenta, no feminino, como Dilma prefere ser chamada - tem se cercado de cada vez mais mulheres também no seu dia a dia.
No time escolhido a dedo para a chefe de Estado, estão as comissárias do avião presidencial. Coincidentemente, são nove sargentos da Força Aérea Brasileira (leia mais à página 8).
Lado a lado, estão, ainda, as novas ajudantes de ordens, que assumiram o lugar dos homens. As três militares ficam a postos para qualquer necessidade: desde carregar a pasta da presidente até resolver algum imprevisto. Por também zelar pela segurança da pessoa mais importante do País, não puderam dar entrevistas.
Indicadores. Para a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, a ampliação da participação das mulheres na vida política nacional não pode ser interpretada apenas como uma demanda das brasileiras. "É, mais do que isso, um déficit da democracia no Brasil", conclui. Pura verdade. De acordo com a cientista política Teresa Sacchet, do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), a qualidade da democracia de um país é medida por meio de indicadores associados à presença feminina na política, assim como a proteção de seus interesses.
"Há, evidentemente, algo de errado com um país, como o Brasil, em que a principal esfera legislativa é ocupada por apenas 8,6% de mulheres", avalia Teresa. A discriminação na vida pública, segundo ela, não é a do tipo simplista, como aquela que faz com que as mulheres não tenham as mesmas oportunidades que os homens só devido à condição sexual. Na política, o maior preconceito está embutido nas regras do jogo e nas estruturas, que valorizam e recompensam atributos tradicionalmente masculinos.
Campanhas. Embora as normas sejam consideradas neutras, o eleitor vota em quem conhece melhor ou pensa que conhece. Mas, para um candidato se tornar conhecido, precisa de dinheiro para a campanha. E, conforme aponta Teresa, as mulheres perdem nessa equação na medida em que suas campanhas são subfinanciadas. Isso dificulta muito a disputa e, consequentemente, a vitória das candidatas.
"Nas últimas eleições para o cargo de deputado federal, elas tiveram uma arrecadação média de R$ 77.501, enquanto a dos homens foi de R$ 211.677", revela Teresa. "Para deputado estadual, a diferença foi menor, mas também expressiva: as mulheres arrecadaram R$ 44.070 e eles, R$ 81.269."
Na opinião de José Eustáquio Diniz Alves, especialista em demografia e professor titular de mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE), é mais fácil achar chifre em cabeça de cavalo do que mulher em presidência de partido no Brasil. "As legendas são historicamente controladas por homens, têm práticas sexistas e não dão espaço às mulheres."
Um exemplo concreto disso é o descumprimento da lei que obriga os partidos a preencherem um mínimo de 30% das vagas com mulheres. Isso acontece porque a Justiça Eleitoral não penaliza os infratores. Para que a cota seja cumprida, seria necessário que se proibisse o registro das listas eleitorais incompletas. Na maioria deles, contudo, a participação feminina nas estruturas internas de liderança não ultrapassa 10%.
Mesmo não sendo obrigatório nesse caso, Dilma bem que tentou preencher os 30% com mulheres nos ministérios, que somariam 11. Não conseguiu. Para Alves, os partidos não colaboraram porque, com exceção do PT, só indicaram homens. "A pressão para colocar lideranças masculinas reduziu o espaço potencial feminino", afirma.
Embora a meta de paridade política na alta administração pública estabelecida internacionalmente seja de metade mulher e metade homem, o ranking mundial apontava para cerca de 30 países no mundo com taxas superiores a 30%. Portanto, ter uma presidente mulher e nove ministras - o que representa 24,32% - é um grande mérito, na opinião de todas as nomeadas.
"O maior impacto é o fato de todas as mulheres deste País, independentemente de sua classe social, idade, etnia ou região em que vivem, poderem se enxergar nos espaços de comando e acreditarem que caminhamos cada vez mais para uma sociedade em que a equidade de gênero seja absolutamente natural e não mais exceção", diz a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.
Porém, conforme observa a ministra da Secretaria de Igualdade Racial, Luiza Bairros, o olhar feminino não é diferenciado só pelo aspecto biológico, como se costuma dizer. "Ao longo do tempo, fomos construindo um ponto de vista a partir da posição social e cultural que ocupamos, geralmente nos patamares de maior desvantagem", afirma. "Isso nos traz percepções bem diferentes de quem viveu no topo. É um conhecimento fundamental para darmos conta e enxergarmos as principais questões da mulher brasileira."
Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social, recorda de sua infância para exemplificar a importância das conquistas recentes. "Quando era criança, achava que estava em desvantagem por ser mulher, mesmo tendo sido educada e estimulada pela minha família a ser uma profissional independente", conta. "Minha filha de 5 anos pensa diferente e diz: ‘Mamãe, que sorte que eu nasci mulher!’ Sinal dos novos tempos!"
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,brasilia-de-salto-alto,690262,0.htm
terça-feira, 1 de março de 2011
Gênero Humano
O gênero humano corre perigo. Diante dos acontecimentos: um louco com um carro potente,atropela ciclistas que estavam em uma passeata, pelo direito de andarem nas ruas.
Motoristas despreparados emocionalmente transformam carro em arma e em troféu, numa guerra inconsequente e injusta.
Esse texto nos ajuda a refletir sobre a ética do gênero humano ...
ÉTICA DO GÊNERO HUMANO.
Analisado as implicações condicionais ao ser humano, indivíduo/sociedade/espécie, chegamos ao núcleo de nosso propósito, a questão ética. Ora, os elementos acima trabalhados desembocam na necessidade de uma estruturação ética entendida como ciência do ethos, mas, que vem a ser o ethos?
Na acepção do termo, ethos exprime algo duradouro que regula os atos do ser humano, não se trata de uma lei imposta de fora ou de cima, antes, é algo que atua dentro do ser humano, uma forma interna, uma atitude de alma constante, aquilo que a escolástica chama de hábito. Tais atitudes constantes da alma conferem à variedade de comportamentos uma determinada marca homogênia, e é através dessa marca que eles se manifestam externamente.
Desde a filosofia clássica havia uma preocupação com o agir humano, com a ética, até então travou-se várias lutas teóricas para construção de uma ética universal, já que para sua efetivação faz-se necessário uma base comum universal . Para Edgar Morin a ética do séc. XXI está alicerçada na compreensão “a ética da compreensão é a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteresado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade” .
Essa percepção, só poderá existir munida de uma mudança de mentalidade, criar no ser humano uma prática de introspecção do auto-exame; uma conscientização da complexidade humana, numa abertura subjetiva empática e na interiorização da tolerância. “Desde então, a ética propriamente humana, ou seja, a antropo-ética deve ser considerada como a ética da cadeia de três termos: indivíduo/sociedade/espécie, de onde emerge nossa consciência e nosso espírito propriamente humano.”
O que Morin propõe é na verdade uma revolução paradigmática em toda a esfera do ser humano, sua proposta estabelece a revolução antropológica pós-moderna. O homem, agora consciente de seu todo, aberto ao diferente, passa a assumir o trabalho de humanização da humanidade, alcançando a unidade na diversidade por meio da solidariedade da compreensão respeitando no outro a diferença e a identidade. Conforme Morin,
A antropo-ética compreende, assim, a esperança na completude da humanidade, como consciência e cidadania planetária. Compreende, por conseguinte, como toda ética, aspiração e verdade, mas também aposta no incerto. Ela é consciência individual além da individualidade.
Todo esse processo culminará na democracia que para ele não é um simples regime político, “é a regeneração contínua de uma cadeia complexa e retroativa: os cidadãos produzem a democracia que produz cidadãos.”
Fonte: http://www.webartigos.com/articles/23481/1/A-ETICA-DO-GENERO-HUMANO-COMO-SABER-NECESSARIO-A-EDUCACAO-DO-FUTURO/pagina1.html#ixzz1FPBCpSt4
Analisado as implicações condicionais ao ser humano, indivíduo/sociedade/espécie, chegamos ao núcleo de nosso propósito, a questão ética. Ora, os elementos acima trabalhados desembocam na necessidade de uma estruturação ética entendida como ciência do ethos, mas, que vem a ser o ethos?
Na acepção do termo, ethos exprime algo duradouro que regula os atos do ser humano, não se trata de uma lei imposta de fora ou de cima, antes, é algo que atua dentro do ser humano, uma forma interna, uma atitude de alma constante, aquilo que a escolástica chama de hábito. Tais atitudes constantes da alma conferem à variedade de comportamentos uma determinada marca homogênia, e é através dessa marca que eles se manifestam externamente.
Desde a filosofia clássica havia uma preocupação com o agir humano, com a ética, até então travou-se várias lutas teóricas para construção de uma ética universal, já que para sua efetivação faz-se necessário uma base comum universal . Para Edgar Morin a ética do séc. XXI está alicerçada na compreensão “a ética da compreensão é a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteresado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade” .
Essa percepção, só poderá existir munida de uma mudança de mentalidade, criar no ser humano uma prática de introspecção do auto-exame; uma conscientização da complexidade humana, numa abertura subjetiva empática e na interiorização da tolerância. “Desde então, a ética propriamente humana, ou seja, a antropo-ética deve ser considerada como a ética da cadeia de três termos: indivíduo/sociedade/espécie, de onde emerge nossa consciência e nosso espírito propriamente humano.”
O que Morin propõe é na verdade uma revolução paradigmática em toda a esfera do ser humano, sua proposta estabelece a revolução antropológica pós-moderna. O homem, agora consciente de seu todo, aberto ao diferente, passa a assumir o trabalho de humanização da humanidade, alcançando a unidade na diversidade por meio da solidariedade da compreensão respeitando no outro a diferença e a identidade. Conforme Morin,
A antropo-ética compreende, assim, a esperança na completude da humanidade, como consciência e cidadania planetária. Compreende, por conseguinte, como toda ética, aspiração e verdade, mas também aposta no incerto. Ela é consciência individual além da individualidade.
Todo esse processo culminará na democracia que para ele não é um simples regime político, “é a regeneração contínua de uma cadeia complexa e retroativa: os cidadãos produzem a democracia que produz cidadãos.”
Fonte: http://www.webartigos.com/articles/23481/1/A-ETICA-DO-GENERO-HUMANO-COMO-SABER-NECESSARIO-A-EDUCACAO-DO-FUTURO/pagina1.html#ixzz1FPBCpSt4
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