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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Crianças de 18 anos serão abandonadas novamente na vida, que triste sina.....
Jefferson Coppola/AEContagem regressiva. Tiago Medeiros, de 19 anos, deixou abrigo e ficará em república mantida pela Prefeitura até fazer 21
Lucas chegou ao abrigo ainda bebê, abandonado pelos pais. Aos 5 anos, foi adotado. Antes de completar 6, foi devolvido por "incompatibilidade de gênio" com o filho biológico da família.
Depois disso, nunca mais saiu dali. Nem quer. Mas agora ele não tem mais escolha. Fez 18 anos em fevereiro e continua abrigado por "bondade" da coordenação do local.
"Como vou colocar ele pra fora? Eu não tenho coragem. Ele não tem ninguém no mundo. Aqui é a casa dele", diz Helena Zgierski, psicóloga da associação na zona sul paulistana onde o garoto passou a vida toda.
O drama de Lucas não é único. A história se repete em outros 120 abrigos espalhados pela cidade. Pela legislação, todo adolescente, ao completar 18 anos, precisa sair e dar conta da própria vida. Um desafio além da maturidade de muitos deles.
Para ajudar nessa transição, a Prefeitura de São Paulo mantém cinco repúblicas que, juntas, disponibilizam 30 vagas. Mas o número não dá conta da demanda e grande parte dos adolescentes não cumpre os requisitos de inserção: ter trabalho e estar matriculado na escola (mais informações nesta página).
"Isso me tira o sono todos os dias", afirma o juiz Iasin Issa Ahmed, da 1.ª Vara da Infância do Fórum Regional de Santo Amaro. Só na região, 24 adolescentes abrigados vão completar 18 anos dentro de um ano. "Não é possível preparar o candidato para a república. Precisa ter um projeto para o A, o B e o C. Quem consegue ter?"
Ahmed conta que, numa audiência recente, um menino prestes a completar 18 anos o procurou, desesperado. Sem emprego, seu medo era parar na rua, como aconteceu com um colega. "Ele dizia que tudo o que o amigo tinha era um cobertor", relata Ahmed.
Chegar aos 18 anos abrigado é mais comum do que se imagina. Há casos de adolescentes cujas famílias biológicas nunca perderam a guarda e, por isso, nunca estiveram disponíveis para adoção; crianças que foram devolvidas dentro do estágio probatório pelos potenciais pais adotivos; e, não raro, grupos de irmãos. Como a prioridade é que sejam adotados juntos, muitos acabam crescendo sem conseguir uma família.
Foi o que aconteceu com Eduardo. Ele chegou bebê, com dois irmãos um pouco mais velhos. Os três nunca foram adotados. Ao completar 18 anos, seus irmãos saíram e disseram que voltariam para buscá-lo. Não cumpriram a promessa e Eduardo, sem trabalho e fora da escola, não sabe o que fará da vida a partir de setembro, quando chega à maioridade.
Desafios. "Quem olha, acha que o menino é folgado, mas não é assim. Muitos têm traumas complicadíssimos. Não dá para exigir que tenham performances parecidas com quem mora com pai e mãe", observa o juiz Ahmed. "Aliás, no mínimo ele deveria ter os mesmos direitos. O jovem de classe média fica em casa até os 30 anos. Por que o menino de abrigo, que cresceu sem pai nem mãe, precisa estar apto para a vida aos 18?"
Ahmed propõe a criação de um "auxílio-maturidade". "Ele poderia receber uma ajuda financeira por um ano, pelo menos, para poder se estabilizar."
Para Mateus Kalinovski, gerente de serviços da Associação Cível Gaudium et Spes (Ages), vinculada à Pastoral do Menor, que é parceira da Prefeitura em duas repúblicas (uma masculina e outra feminina), é preciso estimular a independências desses adolescentes. "Para ser recebido na república, é preciso ter o desejo de crescer. Mas, para isso, o abrigo precisa trabalhar a autonomia como projeto pedagógico. Não dá para ser superprotetor."
O defensor público Flávio Frasseto acredita que deve haver uma maior flexibilidade da Justiça nos casos em que a família ainda tem a guarda. "Muitas vezes, os juízes não autorizam a volta porque os pais não têm estrutura. Nisso, ele cresce longe da família e, quando completa 18 anos, vai ter de voltar de qualquer forma."
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110717/not_imp745943,0.php
sábado, 16 de julho de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
Música
Encontrei em um blog quando procurava materia sobre Mark Rothko esse video com essa música, sei que já ouvi, mas não sei nada sobre ela, mas é adorável. Por isso estou compartilhado com vocês
http://www.youtube.com/watch?v=Ohtikwa64xo&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=Ohtikwa64xo&feature=player_embedded
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Vocabulário Feminino
Recebi esse texto hoje de uma amiga da Pós e achei tão adequado para o meu blog, precisamos aprender a respeitar nossos limites e a não querer dar conta de tudo. .....
Como diz minha filha"Ninguém disse que seria fácil, mas ninguém disse que seria tão difícil ."
Vocabulário Feminino
(LEILA FERREIRA)
Se eu tivesse que escolher uma palavra - apenas uma - para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho. Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter. Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna.
Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes - isso, sim, faz bem para a pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar.
E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e silêncio. Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia - não importa - e a ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.
Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir. Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada - faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.
Quanto à palavra dieta, cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista. Nas mesas de restaurantes, nem pensar. Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha.
Uma sugestão? Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.
E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar. Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, e recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, os relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma.
E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição. O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil. Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni. Mulheres reais são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres.
Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
A emancipação feminina não é presente de Deus
EMANCIPAÇÃO FEMININA NÃO É PRESENTE DE DEUS’
8 de maio de 2011 | 23h00
Direto da fonte
Azar Nafisi fala sobre a luta pela conquista dos direitos civis das mulheres

Foto: S. J. Staniski
O poder de escolha das mulheres está entre as questões fundamentais que rondam os temas dos livros de Azar Nafisi. Por essa razão, a escritora iraniana não hesitou em conversar por telefone com a coluna. Falou sobre a proibição da burca na França, governo Dilma e o caso Sakineh, dentre outros assuntos. Radicada nos EUA, a autora ficou conhecida por seu livro Lendo Lolita em Teerã. Trata-se de um relato sobre o grupo de leitura que, sob seu comando, lia clássicos ocidentais como Lolita, no fim da década de 90.
Não é difícil para Azar fazer uma analogia entre o romance de Vladimir Nabokov e o governo de seu país natal: “O regime islâmico iraniano tira das mulheres seu senso de individualidade, impedindo-as de serem quem quiserem”, pontua. Dispensando generalizações – principalmente quando se trata da religião muçulmana – ela é cautelosa ao falar sobre o significado do véu para a mulher islâmica. E chama a atenção para a complexidade social que isso implica: “Muitas usam porque têm medo de suas famílias. Elas precisam de apoio para discutir essas questões”. Vai além: “A mulher tem que poder acreditar, ou não, em Deus. E se acreditar, deve escolher a maneira mais correta para se relacionar com Ele. Nenhum Estado, pai ou marido tem o direito de ditar como deve se fazer isso”.
Otimista, a escritora não duvida que os levantes nos países árabes possam alcançar o Irã de maneira substancial. Acredita também quee ainda verá uma mulher governando a nação persa. A seguir, trechos da entrevista.
Por que a senhora comparou o romance de Nabokov, Lolita, com o regime islâmico iraniano?
Lolita é essencialmente sobre um lugar de poder. A personagem tem 12 anos, perdeu os pais, e não tem para onde ir a não ser para os braços de Humbert Humbert, esse homem maduro e sofisticado. Ele, no entanto, não permite que ela cresça por si só. Não sabemos como ela seria se ele não tivesse a violentado. E sinto que no Irã, o regime islâmico tira das mulheres o senso de individualidade, impedindo-as de serem como querem. O regime dita como devem se vestir, andar, falar. Da mesma maneira que Humbert levou de Lolita seu senso de integridade como ser humano. Eu e minhas estudantes sentimos isso.
A sra. criou no Irã um grupo feminino de leitura. O que foi mais revelador nessa experiência?
A literatura é uma forma de redenção porque é baseada na imaginação. A realidade é feita de limitações. Não podemos escolher onde nascemos, o nome que temos. Já a literatura nos leva a novos lugares. Não é somente sobre o que a vida é agora, mas o que ela pode ser.
O uso da burca foi proibido na França recentemente, causando polêmica entre as muçulmanas. Como vê esta lei?
O problema é complexo. Só a lei não basta. Muitas mulheres usam a burca porque sentem medo de suas famílias. Acreditam que se agirem de outra forma não terão apoio emocional e financeiro. É necessário, portanto, criar lugares e instituições que deem apoio a elas, de modo que se sintam seguras para conversar sobre suas questões. Isso é o primeiro passo. O problema do véu se tornou tão político que ninguém realmente conversa sobre sua essência.
E qual é essa essência?
A verdade é que o uso do véu e suas variações deveriam ser um direito de escolha da mulher. Ela tem de poder acreditar, ou não, em Deus. E se acredita, deve escolher a maneira mais correta para se relacionar com Ele. Nenhum Estado, pai ou marido poderia ditar esse tipo de comportamento.
E pessoalmente, o que pensa do uso da burca?
Minha opinião pessoal é que a burca pertence a um tipo diferente de sociedade. É resquício de um tempo no qual a tradição dizia que mulheres não deveriam aparecer em público. Ora, hoje vivemos em sociedades diferentes. Conheço muitas mulheres, inclusive da minha família, que são devotas do islamismo e não usam sequer o véu.
Não existe no Corão nada que mencione o uso obrigatório da burca, não é?
O Corão, como a Bíblia, tem diferentes interpretações. Dizer que de acordo com o Corão todas as mulheres deveriam agir de determinada forma é um insulto à religião islâmica. Eu digo para meus amigos americanos que Sarah Palin e Michelle Obama dizem que são cristãs. Quem dirá qual é a “mais cristã”? Então essa discussão deve ser transformada em algo lógico e não em um confronto emocional. E, infelizmente, é muito difícil fazer isso nessa atmosfera.
Acredita que o islamismo pode ser reformado e modernizado?
Claro. O que anda sendo relacionado com o Islã, por meio de governos como o iraniano, o saudita e grupos extremistas não é o islamismo. Atualmente, no Irã, ocorrem muitos debates interessantes sobre a modernização da religião. Abrangendo novas interpretações, envolvendo até clérigos e professores.
A sra. mora nos EUA há 11 anos. Sente algum preconceito?
Quando vim para os EUA, todas as vezes em que eu contava sobre as leis agressivas contra as mulheres no Irã, as pessoas me diziam que eu não era muçulmana, nem iraniana e, sim, “ocidentalizada”. Considero isso um insulto, afirmar que mulheres iranianas não querem ter poder de escolha. Se olharmos para as democracias ocidentais, não faz tanto tempo que as mulheres conquistaram seu poder de voto.
Acredita, portanto, que há uma tendência a favor das conquistas femininas no Irã?
Minha mãe foi uma das seis mulheres a irem ao parlamento iraniano em 1963. Onze anos antes disso acontecer na Suíça. A emancipação feminina não é um presente de Deus, é uma luta. Mulheres cristãs e ocidentais não nasceram com direitos civis. Foram conquistados. Fico triste porque foi necessário o caso da menina Neda Salehi Agha-Soltan (morta em 2009, por um membro da milícia Basij durante os protestos eleitorais no Irã) para a comunidade internacional prestar atenção que jovens garotas iranianas são iguais às de qualquer parte do mundo.
Dilma Rousseff classificou como “uma coisa muito bárbara” a execução de Sakineh por apedrejamento. Qual é a importância de um apoio brasileiro para sua absolvição?
Essa declaração foi fantástica. Sua presidente foi muito corajosa. Entendeu a essência da questão. Sakineh não é uma mulher moderna e secular. Pelo contrário, é uma muçulmana tradicional. E existe uma lei no Irã que está contra ela. Isso mostra como o senhor Ahmadinejad se coloca contra essas mulheres. Acho que, ao mostrar solidariedade à Sakineh, Dilma Rousseff deixou transparecer seus traços humanistas. E serve de exemplo para outros países. Porque não seguiu apenas conceitos de coerência política, mas bancou ser uma agente de mudanças.
Acredita que as manifestações nos países árabes podem chegar a atingir o Irã a ponto de modificar os governantes?
Sim. Quando em 2009 manifestantes ocuparam as ruas do Irã, amigos egípcios me diziam que o que estava acontecendo afetaria o Egito. Da mesma maneira, o que aconteceu lá e na Tunísia, afeta o Irã. Conquistar uma vitória sob um regime que parecia tão invencível, como o de Mubarak, por exemplo, gera esperança nos iranianos.
Especialistas afirmam que partidos islâmicos podem ganhar força nesse momento. O que pensa sobre isso?
Esta é uma situação perigosa. A experiência iraniana me ensinou que a época mais vulnerável é a da transição. É o momento em que é mais fácil para forças extremistas tomarem o poder da democracia. Eu espero que eles aprendam com isso. Tenho certeza que veremos boas mudanças por aí.
Como avalia a posição de Ahmadinejad nesse contexto?
Há muitas divisões dentro do próprio governo. Ahmadinejad se tornou símbolo de muitas ações violentas no país. Isso cria muita insatisfação. Há iranianos que, mesmo vítimas de muita propaganda, não escutam o regime. É aí que mora minha esperança. Quem sabe, um dia, sua presidente não irá se reunir com uma mulher presidente do Irã?
/ MARILIA NEUSTEIN
http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/%E2%80%98emancipacao-feminina-nao-e-presente-de-deus%E2%80%99/

Foto: S. J. Staniski
O poder de escolha das mulheres está entre as questões fundamentais que rondam os temas dos livros de Azar Nafisi. Por essa razão, a escritora iraniana não hesitou em conversar por telefone com a coluna. Falou sobre a proibição da burca na França, governo Dilma e o caso Sakineh, dentre outros assuntos. Radicada nos EUA, a autora ficou conhecida por seu livro Lendo Lolita em Teerã. Trata-se de um relato sobre o grupo de leitura que, sob seu comando, lia clássicos ocidentais como Lolita, no fim da década de 90.
Não é difícil para Azar fazer uma analogia entre o romance de Vladimir Nabokov e o governo de seu país natal: “O regime islâmico iraniano tira das mulheres seu senso de individualidade, impedindo-as de serem quem quiserem”, pontua. Dispensando generalizações – principalmente quando se trata da religião muçulmana – ela é cautelosa ao falar sobre o significado do véu para a mulher islâmica. E chama a atenção para a complexidade social que isso implica: “Muitas usam porque têm medo de suas famílias. Elas precisam de apoio para discutir essas questões”. Vai além: “A mulher tem que poder acreditar, ou não, em Deus. E se acreditar, deve escolher a maneira mais correta para se relacionar com Ele. Nenhum Estado, pai ou marido tem o direito de ditar como deve se fazer isso”.
Otimista, a escritora não duvida que os levantes nos países árabes possam alcançar o Irã de maneira substancial. Acredita também quee ainda verá uma mulher governando a nação persa. A seguir, trechos da entrevista.
Por que a senhora comparou o romance de Nabokov, Lolita, com o regime islâmico iraniano?
Lolita é essencialmente sobre um lugar de poder. A personagem tem 12 anos, perdeu os pais, e não tem para onde ir a não ser para os braços de Humbert Humbert, esse homem maduro e sofisticado. Ele, no entanto, não permite que ela cresça por si só. Não sabemos como ela seria se ele não tivesse a violentado. E sinto que no Irã, o regime islâmico tira das mulheres o senso de individualidade, impedindo-as de serem como querem. O regime dita como devem se vestir, andar, falar. Da mesma maneira que Humbert levou de Lolita seu senso de integridade como ser humano. Eu e minhas estudantes sentimos isso.
A sra. criou no Irã um grupo feminino de leitura. O que foi mais revelador nessa experiência?
A literatura é uma forma de redenção porque é baseada na imaginação. A realidade é feita de limitações. Não podemos escolher onde nascemos, o nome que temos. Já a literatura nos leva a novos lugares. Não é somente sobre o que a vida é agora, mas o que ela pode ser.
O uso da burca foi proibido na França recentemente, causando polêmica entre as muçulmanas. Como vê esta lei?
O problema é complexo. Só a lei não basta. Muitas mulheres usam a burca porque sentem medo de suas famílias. Acreditam que se agirem de outra forma não terão apoio emocional e financeiro. É necessário, portanto, criar lugares e instituições que deem apoio a elas, de modo que se sintam seguras para conversar sobre suas questões. Isso é o primeiro passo. O problema do véu se tornou tão político que ninguém realmente conversa sobre sua essência.
E qual é essa essência?
A verdade é que o uso do véu e suas variações deveriam ser um direito de escolha da mulher. Ela tem de poder acreditar, ou não, em Deus. E se acredita, deve escolher a maneira mais correta para se relacionar com Ele. Nenhum Estado, pai ou marido poderia ditar esse tipo de comportamento.
E pessoalmente, o que pensa do uso da burca?
Minha opinião pessoal é que a burca pertence a um tipo diferente de sociedade. É resquício de um tempo no qual a tradição dizia que mulheres não deveriam aparecer em público. Ora, hoje vivemos em sociedades diferentes. Conheço muitas mulheres, inclusive da minha família, que são devotas do islamismo e não usam sequer o véu.
Não existe no Corão nada que mencione o uso obrigatório da burca, não é?
O Corão, como a Bíblia, tem diferentes interpretações. Dizer que de acordo com o Corão todas as mulheres deveriam agir de determinada forma é um insulto à religião islâmica. Eu digo para meus amigos americanos que Sarah Palin e Michelle Obama dizem que são cristãs. Quem dirá qual é a “mais cristã”? Então essa discussão deve ser transformada em algo lógico e não em um confronto emocional. E, infelizmente, é muito difícil fazer isso nessa atmosfera.
Acredita que o islamismo pode ser reformado e modernizado?
Claro. O que anda sendo relacionado com o Islã, por meio de governos como o iraniano, o saudita e grupos extremistas não é o islamismo. Atualmente, no Irã, ocorrem muitos debates interessantes sobre a modernização da religião. Abrangendo novas interpretações, envolvendo até clérigos e professores.
A sra. mora nos EUA há 11 anos. Sente algum preconceito?
Quando vim para os EUA, todas as vezes em que eu contava sobre as leis agressivas contra as mulheres no Irã, as pessoas me diziam que eu não era muçulmana, nem iraniana e, sim, “ocidentalizada”. Considero isso um insulto, afirmar que mulheres iranianas não querem ter poder de escolha. Se olharmos para as democracias ocidentais, não faz tanto tempo que as mulheres conquistaram seu poder de voto.
Acredita, portanto, que há uma tendência a favor das conquistas femininas no Irã?
Minha mãe foi uma das seis mulheres a irem ao parlamento iraniano em 1963. Onze anos antes disso acontecer na Suíça. A emancipação feminina não é um presente de Deus, é uma luta. Mulheres cristãs e ocidentais não nasceram com direitos civis. Foram conquistados. Fico triste porque foi necessário o caso da menina Neda Salehi Agha-Soltan (morta em 2009, por um membro da milícia Basij durante os protestos eleitorais no Irã) para a comunidade internacional prestar atenção que jovens garotas iranianas são iguais às de qualquer parte do mundo.
Dilma Rousseff classificou como “uma coisa muito bárbara” a execução de Sakineh por apedrejamento. Qual é a importância de um apoio brasileiro para sua absolvição?
Essa declaração foi fantástica. Sua presidente foi muito corajosa. Entendeu a essência da questão. Sakineh não é uma mulher moderna e secular. Pelo contrário, é uma muçulmana tradicional. E existe uma lei no Irã que está contra ela. Isso mostra como o senhor Ahmadinejad se coloca contra essas mulheres. Acho que, ao mostrar solidariedade à Sakineh, Dilma Rousseff deixou transparecer seus traços humanistas. E serve de exemplo para outros países. Porque não seguiu apenas conceitos de coerência política, mas bancou ser uma agente de mudanças.
Acredita que as manifestações nos países árabes podem chegar a atingir o Irã a ponto de modificar os governantes?
Sim. Quando em 2009 manifestantes ocuparam as ruas do Irã, amigos egípcios me diziam que o que estava acontecendo afetaria o Egito. Da mesma maneira, o que aconteceu lá e na Tunísia, afeta o Irã. Conquistar uma vitória sob um regime que parecia tão invencível, como o de Mubarak, por exemplo, gera esperança nos iranianos.
Especialistas afirmam que partidos islâmicos podem ganhar força nesse momento. O que pensa sobre isso?
Esta é uma situação perigosa. A experiência iraniana me ensinou que a época mais vulnerável é a da transição. É o momento em que é mais fácil para forças extremistas tomarem o poder da democracia. Eu espero que eles aprendam com isso. Tenho certeza que veremos boas mudanças por aí.
Como avalia a posição de Ahmadinejad nesse contexto?
Há muitas divisões dentro do próprio governo. Ahmadinejad se tornou símbolo de muitas ações violentas no país. Isso cria muita insatisfação. Há iranianos que, mesmo vítimas de muita propaganda, não escutam o regime. É aí que mora minha esperança. Quem sabe, um dia, sua presidente não irá se reunir com uma mulher presidente do Irã?
/ MARILIA NEUSTEIN
http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/%E2%80%98emancipacao-feminina-nao-e-presente-de-deus%E2%80%99/
quinta-feira, 21 de abril de 2011
O filho que quero ter
Vale a pena escutar essa música. Hoje ela me faz lembrar de meu pai e de meus filhos, amo todos.....não consigo escutar só uma vez...tenho essa mania quando gosto fico escutando várias vezes em seguida....problema....
É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem
De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro bei..jo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer Ter.
http://www.youtube.com/watch?v=xwni_gMMvt4
É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem
De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro bei..jo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer Ter.
http://www.youtube.com/watch?v=xwni_gMMvt4
domingo, 17 de abril de 2011
trecho da mensagem que a Irmã nos deixou.....
A quaresma e a tristeza divina
02/10/2010 por tinanati2
i
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“Porque a tristeza de Deus produz mudança… mas a tristeza do mundo produz morte.” II Co 7:10
As quaresmeiras aí estão. Flores de fevereiro e março, anunciando que nem só de cores brancas e verdes vive a alma humana, mas também de lilases e roxas. Nem só de alegrias, mas também de tristezas. A propósito, não é tarefa das mais fáceis empreender um “dedo de prosa”, mínimo que seja, sobre o tema da tristeza. Houve tempos em que a tristeza era prima irmã da poesia, da musica, da vida. Pode-se dizer, com o testemunho de um bom numero de musicas que ainda hoje cantamos, que a tristeza sempre foi a matéria primado fazer poético. Quem nunca cantou: “Tristeza, por favor vai embora, minha alma que chora, está vendo o seu fim….”. Ou ainda: “Cantando eu mando a tristeza embora…” Mais: “Triste madrugada foi aquela em que perdi meu violão…”
Essas músicas testemunham um tempo em que a experiência da alegria e da beleza só eram possíveis a partir do reconhecimento de uma certa tristeza nas pautas musicais da existência. Os tempos hoje são outros. Num projeto de vida em que as pessoas são tidas como máquinas, qualquer sombra de melancolia, de tristeza, de dor, deve ser abolida. Por uma simples razão: máquina não sente dor! Aos saudosos e melancólicos do presente, resta-lhes apenas o afogar-se nos remédios. É assim que lidamos com nossas tristezas: afogando-nos nos compridos.
O trecho da tradição bíblica que está em epígrafe acima faz referência à tristeza segundo Deus. Dorothee Sölle assim o interpretou: A presença divina nunca é presença observadora: a presença divina é sempre dor ou alegria de Deus. Mas, o que distingue a tristeza divina das tristezas do mundo? pergunta o apóstolo dos gentios. Tristeza do mundo é tristeza que gira em torno de si mesma, patina sem sair do lugar. É tristeza que paralisa no remorso, na lástima, no mórbido ruminar as faltas passadas, na lamuria sem fim. Nada se transforma, nada se metamorfoseia, nada muda. É tristeza que não conhece a esperança, o futuro, por estar afogada no passado. É Tristeza que mata, que corrói, que faz adoecer. Como exemplo, atente-se às tristezas próprias do mundo da aparência: a anorexia, a bulimia, sofrimento de um corpo que morre para parecer belo. Ou a tristeza do consumo: esse mal-estar diabólico que leva do nada a lugar nenhum. A tristeza da guerra, da destruição que faz morrer a palavra e perpetua o ódio.
A tristeza segundo Deus, porém, produz mudança, movimento, superação, transformação, produz vida. É tristeza que não patina nas culpas, mas avança na responsabilidade. Tristeza de parturiente, que traz a esperança e o futuro no ventre. É tristeza que gera a sagrada ira, a santa indignação, o grito, a libertação. Sem a participação na tristeza divina, o domingo da ressurreição não passa de oba-oba. Que as quaresmeiras e os ipês roxos, também próprios do tempo quaresmal, nos convidem a participar da tristeza segundo Deus, aquela que verdadeiramente nos conduz à mudança, ao arrependimento, à transformação.”
———————————————————
http://rubemalvesdois.wordpress.com/2010/10/02/a-quaresma-e-a-tristeza-divina-2/
Parece que a Irmã, na sua sabedoria, previa alguma coisa. Mesmo sem saber ela nos deixou uma mensagem dizendo adeus da sua maneira. Continuaremos com o grupo, a partir de agora um grupo de estudo. Continuaremos o trabalho da Irmã, em respeito a ela,por tudo que ela lutou para que o nosso grupo da pós continuasse, hoje somos nós que continuamos o que ela começou e lutou para tal.
A Irmã vive em nòs, somos testemunha do seu trabalho de vida, do que ela acreditava e lutava.
———-segunda-feira, 11 de abril de 2011
Oração de um amigo nosso, da pós, para Irmã Iracema
Ir.Iracema,
não sei qual a fé de cada um dos colegas, nem sei se possuem uma fé, mas pensei em escrever algo.
Ir. Iracema possuia uma fé explícita, tanto nos gestos, na vida religiosa que dedicou sua vida toda, quanto no falar com os olhos brilhantes.
Sua fé consiste numa promessa, que hojé, pra ela, acabou de se realizar. Esta fé promete realizar na vida do fiel aquilo que celebraremos logo, a Páscoa.
Páscoa é passagem: da escravidão para a libertação; da morte para a vida eterna; do lugar de penitente para o lugar de intercessora.
Nesta fé, Ir. Iracema pedia que rezassem por ela e rezava pelos outros que lhe pediam. Nossa oração na terra é limitada.
Hoje, perdemos uma pessoa admirável na terra, e ganhamos uma intercessora nos céus. Alguém que conhece nossas dores e dificuldades, alegrias e tristezas, angústias e conquistas.
Não rezaremos por alguém que morreu. Rezaremos por alguém que ressuscitou, pois, a vida toda buscou isso, e acreditou na promessa.
Sua vida será eterna de qualquer maneira: para quem tem fé, no coração de Deus; para quem não tem fé, na memória de todos.
Ir. Iracema - rogai por nós! Amém.
Alexandre Mogentale
não sei qual a fé de cada um dos colegas, nem sei se possuem uma fé, mas pensei em escrever algo.
Ir. Iracema possuia uma fé explícita, tanto nos gestos, na vida religiosa que dedicou sua vida toda, quanto no falar com os olhos brilhantes.
Sua fé consiste numa promessa, que hojé, pra ela, acabou de se realizar. Esta fé promete realizar na vida do fiel aquilo que celebraremos logo, a Páscoa.
Páscoa é passagem: da escravidão para a libertação; da morte para a vida eterna; do lugar de penitente para o lugar de intercessora.
Nesta fé, Ir. Iracema pedia que rezassem por ela e rezava pelos outros que lhe pediam. Nossa oração na terra é limitada.
Hoje, perdemos uma pessoa admirável na terra, e ganhamos uma intercessora nos céus. Alguém que conhece nossas dores e dificuldades, alegrias e tristezas, angústias e conquistas.
Não rezaremos por alguém que morreu. Rezaremos por alguém que ressuscitou, pois, a vida toda buscou isso, e acreditou na promessa.
Sua vida será eterna de qualquer maneira: para quem tem fé, no coração de Deus; para quem não tem fé, na memória de todos.
Ir. Iracema - rogai por nós! Amém.
Alexandre Mogentale
domingo, 10 de abril de 2011
Luto
Hoje perdemos uma grande mulher, Guerreira, uma visionária. Mulher de fibra, professora há 68 anos. Sempre nos deixava de boca aberta com tanta sabedoria.Hoje com 91 anos, deu aula até a semana passada. Ela dava aula na graduação todos os dias.
Seu nome Irmã Iracema, minha companheira de todos os sábados e de todo o grupo da pós graduação de Estética e História da Arte. Tenho amigas que estavam com ela a 15 anos, eu faz 5anos, e lamento o pouco tempo que tivemos, ainda teriamos tempo e assunto para uma eternidade.
Saudades, saudades...muita saudade.
beijos no coração daIrmã
Seu nome Irmã Iracema, minha companheira de todos os sábados e de todo o grupo da pós graduação de Estética e História da Arte. Tenho amigas que estavam com ela a 15 anos, eu faz 5anos, e lamento o pouco tempo que tivemos, ainda teriamos tempo e assunto para uma eternidade.
Saudades, saudades...muita saudade.
beijos no coração daIrmã
segunda-feira, 28 de março de 2011
O dever de se assumir um compromisso
Enquanto alguns professores não assumirem os alunos que estão em suas classes para serem incluidos, esses alunos passarão ano após ano em um canto da sala, sem participarem da dinâmica da sala de aula. Este ano, em sala de recurso, observo que alguns alunos, mesmo hoje, com todas as informações que temos sobre inclusão,ficam em sala de aula sem participarem.A professora delega a substituta que está fazendo um trabalho colaborativo toda a responsabilidade quanto as atividades e aplicação das mesma para esse aluno.
Esse aluno tem paralisia e parece entender o que falamos pois sorri e tenta ver o que está acontecendo, e também tenta participar da atividade, ele tenta movimentar a mão ou olharpara o que está acontecendo, e chora quando é tirado de perto dos amigos que estão conversando ou brincando.
Fica dificil a inclusão, quando se argumenta que não estudou para isso ou que o outro ganha mais para fazer esse trabalho,mas infelizmente ainda nos deparamos com essa falta de compromisso e responsabilidade.
Já escutei discurso de professores que assumiram o compromisso e não admitem que o aluno seja tratado diferente, porque ele faz parte da sala, isso me emociona, fico feliz, porque é muito triste ver uma pessoa não ser incluida em um espaço que por direito é seu......
Esse aluno tem paralisia e parece entender o que falamos pois sorri e tenta ver o que está acontecendo, e também tenta participar da atividade, ele tenta movimentar a mão ou olharpara o que está acontecendo, e chora quando é tirado de perto dos amigos que estão conversando ou brincando.
Fica dificil a inclusão, quando se argumenta que não estudou para isso ou que o outro ganha mais para fazer esse trabalho,mas infelizmente ainda nos deparamos com essa falta de compromisso e responsabilidade.
Já escutei discurso de professores que assumiram o compromisso e não admitem que o aluno seja tratado diferente, porque ele faz parte da sala, isso me emociona, fico feliz, porque é muito triste ver uma pessoa não ser incluida em um espaço que por direito é seu......
domingo, 27 de março de 2011
sábado, 26 de março de 2011
Novos blogs
Comecei a observar os blogs que estou seguindo, e o meu parece tão pobre em conteúdo. Percebo que hoje em dia o blog tornou-se o diário de antigamente...interessante!!!!!
Preciso adquirir essa rotina de estar sempre acrescentando material novo....estou aprendendo.....
Preciso adquirir essa rotina de estar sempre acrescentando material novo....estou aprendendo.....
segunda-feira, 21 de março de 2011
Artur Bispo do Rosário
retornando ao tema bordado e ao Bispo
Profeta, louco, iluminado, pugilista, marinheiro e artista. Arthur Bispo do Rosário foi muito além, navegou mares distantes, avançando ao ilimitado. Transformou seus delírios em arte, e a arte em vida
Ao ser questionado sobre suas raízes, família e cultura, Arthur Bispo do Rosário tinha por hábito responder: “Um dia eu simplesmente apareci no mundo”. Ele acreditava ser o filho de Deus, adotado pela Virgem Maria e “aparecido” no mundo em seus braços.
Muitas controvérsias giram em torno de suas origens, mas pouco importa isso. Entre uma massa de anônimos, Bispo foi o “escolhido”. “Um dia, designado ´rei dos reis´ por seres luminosos, ele teceria o próprio manto, vermelho, salpicado de bordados, se faria coroar e protagonizaria a própria via sacra”.

Inspirada pelo drama existencial desse homem ligado ao devaneio, ao sonho e ao numinoso, a professora doutora em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Marta Dantas desenvolveu a tese de doutorado “Arthur Bispo do Rosário – A poética do delírio”. Recentemente transformada em livro e publicada pela editora Unesp.
A autora lança um olhar minucioso e sensível sobre a relação da arte com a loucura na produção de Bispo do Rosário. O que conduz à questão ainda mais complexa e inevitável da relação entre arte e vida.
Do mundo mítico e sagrado do artista, Dantas analisou os elementos que compõem a sua “poética do delírio”. E, assim, articulando conhecimentos das Ciências Humanas, Estética e História da Arte, a obra transcende convencionalismos, deixando de ser um simples registro biográfico.
Em busca das interpretações do imaginário coletivo, a pesquisadora trabalha justamente com o desvio da racionalidade artística e o entrelaçamento da obra com a vida. De acordo com ela, “muitas vezes, a experiência artística nasce da interrogação da vida pela perspectiva da morte. Para recuperar a história desse artista é preciso falar da morte, ou melhor, analisar a sua atitude perante a finitude da vida nos dará a dimensão da relação que sua obra tem com a vida, pois ela nada mais é do que a finitude desta se abrindo para a infinitude da arte”.
O profeta
Sergipano descendente de negros católicos, Arthur Bispo do Rosário cresceu num ambiente cercado por beatas, rituais, rosários, pecados e, sobretudo, pelo sentimento de culpa.
“Muitos anos mais tarde, ele se faria adotar por Maria, emagreceria em repetidos jejuns para virar santo, juraria que uma cruz lhe marcava as costas, confeccionaria um novo mundo para apresentar ao Todo-Poderoso na audiência final. Era essa a sua missão. A missão de Arthur. Arthur Jesus, assinaria ele em certas obras. O filho de Maria e de Blandina Francisca de Jesus”, explica a historiadora.
Aos 29 anos, Bispo do Rosário caiu nos braços tortuosos da “esquizofrenia-paranóide”. Nesse momento, “sete anjos lhe anunciaram que havia sido escolhido por Deus para julgar os bons e os maus e para recriar o mundo para o Dia do Juízo Final”. Sua vida mudou… Desligou-se dessa realidade.
Em meio a alucinações e internamentos em instituições psiquiátricas, como a Colônia Juliano Moreira, no bairro carioca de Jacarepaguá, o artista, que se dizia guiado por “vozes sagradas”, mergulhou num trabalho de criação que só teve fim com a sua morte, em 1989.
Num conjunto de mais 800 peças, composto por objetos como miniaturas, escritos, vestimentas, bordados e seu principal trabalho, o “Manto da apresentação”, Bispo jorrava criatividade em estado puro, sem nenhuma sistematização ou disciplina. Como registra o crítico de arte Ivo Mesquita: “Ele, no interior de sua cela, desfiava seus uniformes de interno para obter fios azuis desbotados com os quais bordava sua cartografia, mumificava os objetos do seu cotidiano. O artista desnuda-se, despoja-se para dar existência à obra, assinalando a transitoriedade do corpo em oposição à permanência do trabalho”.
Bispo chamava a atenção dos “homens de capa branca” (apelido referido aos médicos), não só pela singularidade de sua poética, mas também pela profundidade e sabedoria de algumas de suas reflexões. Das mais emblemáticas, destaca-se o pensamento do artista sobre o que é ser louco: “Os loucos são como beija-flores: nunca pousam, ficam a dois metros do chão”.
Segundo Marta Dantas, Bispo não desenhou, não pintou e nem esculpiu. Ou seja, não se debruçou sobre nenhuma das atividades expressivas das artes plásticas, mas bordou, costurou, pregou, colou, talhou ou simplesmente compôs através de objetos já prontos. Descobria beleza naquilo onde, aparentemente, não existia.
“Transfigurar a dor em arte, criar o mundo conforme seu desejo, significou, para Bispo, a criação de uma nova interpretação da ´realidade´, a transformação de si mesmo em ´homus religiosus´ e trágico e, ainda, a fundação de uma moradia sagrada, porque não é possível criar um novo universo senão partindo de um ponto fixo, do mundo profano. Por isso, ele fez dos lugares onde morou (quartos, sótão, celas) templos nos quais, longe dos olhares curiosos e profanos, se escondiam os mistérios de um outro mundo em formação”, finaliza
http://www.substantivoplural.com.br/a-mitopoetica-de-bispo/
Bispo com seu "Manto da Apresentação", fiquei devendo essa foto na última postagem...
A mitopoética de Bispo
-Por nina rizzi
Profeta, louco, iluminado, pugilista, marinheiro e artista. Arthur Bispo do Rosário foi muito além, navegou mares distantes, avançando ao ilimitado. Transformou seus delírios em arte, e a arte em vidaAo ser questionado sobre suas raízes, família e cultura, Arthur Bispo do Rosário tinha por hábito responder: “Um dia eu simplesmente apareci no mundo”. Ele acreditava ser o filho de Deus, adotado pela Virgem Maria e “aparecido” no mundo em seus braços.
Muitas controvérsias giram em torno de suas origens, mas pouco importa isso. Entre uma massa de anônimos, Bispo foi o “escolhido”. “Um dia, designado ´rei dos reis´ por seres luminosos, ele teceria o próprio manto, vermelho, salpicado de bordados, se faria coroar e protagonizaria a própria via sacra”.

Inspirada pelo drama existencial desse homem ligado ao devaneio, ao sonho e ao numinoso, a professora doutora em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Marta Dantas desenvolveu a tese de doutorado “Arthur Bispo do Rosário – A poética do delírio”. Recentemente transformada em livro e publicada pela editora Unesp.
A autora lança um olhar minucioso e sensível sobre a relação da arte com a loucura na produção de Bispo do Rosário. O que conduz à questão ainda mais complexa e inevitável da relação entre arte e vida.
Do mundo mítico e sagrado do artista, Dantas analisou os elementos que compõem a sua “poética do delírio”. E, assim, articulando conhecimentos das Ciências Humanas, Estética e História da Arte, a obra transcende convencionalismos, deixando de ser um simples registro biográfico.
Em busca das interpretações do imaginário coletivo, a pesquisadora trabalha justamente com o desvio da racionalidade artística e o entrelaçamento da obra com a vida. De acordo com ela, “muitas vezes, a experiência artística nasce da interrogação da vida pela perspectiva da morte. Para recuperar a história desse artista é preciso falar da morte, ou melhor, analisar a sua atitude perante a finitude da vida nos dará a dimensão da relação que sua obra tem com a vida, pois ela nada mais é do que a finitude desta se abrindo para a infinitude da arte”.
O profeta
Sergipano descendente de negros católicos, Arthur Bispo do Rosário cresceu num ambiente cercado por beatas, rituais, rosários, pecados e, sobretudo, pelo sentimento de culpa.
“Muitos anos mais tarde, ele se faria adotar por Maria, emagreceria em repetidos jejuns para virar santo, juraria que uma cruz lhe marcava as costas, confeccionaria um novo mundo para apresentar ao Todo-Poderoso na audiência final. Era essa a sua missão. A missão de Arthur. Arthur Jesus, assinaria ele em certas obras. O filho de Maria e de Blandina Francisca de Jesus”, explica a historiadora.
Aos 29 anos, Bispo do Rosário caiu nos braços tortuosos da “esquizofrenia-paranóide”. Nesse momento, “sete anjos lhe anunciaram que havia sido escolhido por Deus para julgar os bons e os maus e para recriar o mundo para o Dia do Juízo Final”. Sua vida mudou… Desligou-se dessa realidade.
Em meio a alucinações e internamentos em instituições psiquiátricas, como a Colônia Juliano Moreira, no bairro carioca de Jacarepaguá, o artista, que se dizia guiado por “vozes sagradas”, mergulhou num trabalho de criação que só teve fim com a sua morte, em 1989.
Num conjunto de mais 800 peças, composto por objetos como miniaturas, escritos, vestimentas, bordados e seu principal trabalho, o “Manto da apresentação”, Bispo jorrava criatividade em estado puro, sem nenhuma sistematização ou disciplina. Como registra o crítico de arte Ivo Mesquita: “Ele, no interior de sua cela, desfiava seus uniformes de interno para obter fios azuis desbotados com os quais bordava sua cartografia, mumificava os objetos do seu cotidiano. O artista desnuda-se, despoja-se para dar existência à obra, assinalando a transitoriedade do corpo em oposição à permanência do trabalho”.
Bispo chamava a atenção dos “homens de capa branca” (apelido referido aos médicos), não só pela singularidade de sua poética, mas também pela profundidade e sabedoria de algumas de suas reflexões. Das mais emblemáticas, destaca-se o pensamento do artista sobre o que é ser louco: “Os loucos são como beija-flores: nunca pousam, ficam a dois metros do chão”.
Segundo Marta Dantas, Bispo não desenhou, não pintou e nem esculpiu. Ou seja, não se debruçou sobre nenhuma das atividades expressivas das artes plásticas, mas bordou, costurou, pregou, colou, talhou ou simplesmente compôs através de objetos já prontos. Descobria beleza naquilo onde, aparentemente, não existia.
“Transfigurar a dor em arte, criar o mundo conforme seu desejo, significou, para Bispo, a criação de uma nova interpretação da ´realidade´, a transformação de si mesmo em ´homus religiosus´ e trágico e, ainda, a fundação de uma moradia sagrada, porque não é possível criar um novo universo senão partindo de um ponto fixo, do mundo profano. Por isso, ele fez dos lugares onde morou (quartos, sótão, celas) templos nos quais, longe dos olhares curiosos e profanos, se escondiam os mistérios de um outro mundo em formação”, finaliza
http://www.substantivoplural.com.br/a-mitopoetica-de-bispo/
terça-feira, 15 de março de 2011
UM JEITO DIFERENTE DE CONTAR Histórias.....
Um jeito diferente de contar histórias é através do bordado, mulheres fazem o resgate de suas vidas.
Mas para quem pensa que bordado é coisa de mulher temos alguns artistas que usam essa técnica para se expressar, entre eles Leonilson e Bispo do Rosário com seu manto todo bordado com restos de linhas de uniformes da Colônia desfiados. Bispo era esquizofrênico e vivia na Colônia Juliano Moreira,durante esse tempo ele confeccionou várias peças bordadas entre elas o Manto da Apresentação, espécie de mortalha sagrada que bordaria durante toda a vida para vestir no dia da apresentação, no Juízo Final, na data de sua passagem . Bordados neste manto, estariam todos os nomes de pessoas que ele julgava merecedoras de subir, de carona, rumo ao além. Bispo utilizou a mesma técnica de bordado nas obras depois chamadas de estandartes:lençóis e cobertores da Colônia bordados a mão com as linhas dos uniformes .
ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO: O ILUSTRE DESCONHECIDO
No ano em que se comemora o centenário de nascimento e vinte anos de sua morte, espera-se que o Brasil promova uma programação digna da obra artística de Arthur Bispo do Rosário. Espera-se, principalmente, que Sergipe, seu estado natal, faça a sua parte.
Este artigo, estruturado em duas partes, cuja primeira você lê agora, é uma pequena contribuição nas iniciativas alusivas à data.
Arthur Bispo do Rosário é considerado pela crítica um dos principais artistas brasileiros do século XX, saudado nacional e internacionalmente, mas apreciado por um público ainda restrito a intelectuais.
Um dos motivos mais significativos para o reconhecimento de sua importância é que Bispo do Rosário foi um artista de vanguarda, de forma absolutamente intuitiva, sem receber qualquer treinamento técnico, conviver com outros artistas, ler livros especializados ou frequentar espaços de arte.
Começou a produzir, de forma praticamente ininterrupta, a partir dos anos 40, e nesse trabalho incluiu elementos pop, movimento estético que só surgiria na Inglaterra por volta da década de 1960.
Sua genialidade expressa-se na forma como trabalha os elementos, os novos suportes utilizados, a configuração contemporânea de sua arte, a harmonia do conjunto das peças.
Arthur Bispo foi redescoberto a partir do trabalho do crítico Frederico Morais na década de 80, que organizou uma exposição e lançou uma possibilidade de compreensão e sistematização do conjunto da obra. Todavia, Rosário é desconhecido pela maioria do público brasileiro e, curiosamente, também em sua terra natal, Sergipe.
Pode-se pensar, afinal, que muitos grandes artistas plásticos são desconhecidos do grande público no Brasil, pelas características da formação e desenvolvimento educacional da população do país. No caso de Rosário, o que surpreende é que sua obra seja fácil de agradar qualquer observador.
Isso se deve a presença de um forte resultado lúdico nas peças, pelo colorido, formas, referências e pelos brinquedos que elaborou. Ademais a utilização de materiais e objetos do cotidiano possibilita que o apreciador se identifique.
Após o impacto inicial das primeiras exposições, foram escritos artigos, ensaios e trabalhos científicos diversos. Bispo do Rosário virou livro, peça de teatro e vai virar filme este ano, pelas mãos do cineasta Geraldo Motta. Muito ainda terá que ser feito para revelar a grandiosidade de sua produção artística.
NEGRO, POBRE, LOUCO
Arthur Bispo do Rosário, nasceu em Japaratuba – SE, no ano de 1909 (ou 1911, não se sabe ao certo), descendente de escravos africanos.
Em 1925, muda-se para o Rio de Janeiro e torna-se marinheiro. Foi campeão brasileiro e sul-americano de boxe na categoria peso leve pela Marinha.
Em seguida, passa a trabalhar na Light, empresa carioca de fornecimento de energia, e como lavador de bonde e borracheiro. Sofre um acidente de trabalho e resolve ajuizar uma ação contra a empresa, ocasião em que conhece o advogado Humberto Leoni, que passa a representá-lo na demanda judicial.
Começa a trabalhar na casa do advogado, como empregado doméstico, fazendo serviços diversos e residindo no local.
Na noite de 22 de dezembro de 1938, procura o patrão motivado por alucinações que lhe diziam que deveria apresentar-se à Igreja da Candelária. Peregrina pelas ruas, dirigindo-se a várias igrejas. Por fim, chega ao Mosteiro de São Bento, onde declara aos monges ser um enviado de Deus, incumbido da tarefa de julgar os vivos e os mortos.
É preso como indigente e demente, sendo conduzido ao Hospital dos Alienados, um hospício situado na Praia Vermelha. Um mês depois, é transferido para a Colônia Juliano Moreira, no bairro de Jacarepaguá, onde permaneceria por cerca de cinqüenta anos.
Foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóide - que é um dos quatro tipos principais dessa patologia -, caracterizada pela ocorrência de visões, alucinações, sentimentos de perseguição e em que é comum o doente escutar vozes (FRANÇA, 2007).
A partir desse período, começa a produzir seu trabalho artístico, motivado por um pedido de Deus para que reconstruísse o universo e registrasse a passagem divina pela terra.
Aí, começa a história de Bispo do Rosário como artista plástico.
Estima-se que elaborou cerca de 1.000 peças, que permaneceram como propriedade da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, hoje desativada comoo instituição manicomial e transformada no Museu Arthur Bispo do Rosário.
Bispo faleceu em 1989.
Este artigo, estruturado em duas partes, cuja primeira você lê agora, é uma pequena contribuição nas iniciativas alusivas à data.
Arthur Bispo do Rosário é considerado pela crítica um dos principais artistas brasileiros do século XX, saudado nacional e internacionalmente, mas apreciado por um público ainda restrito a intelectuais.
Um dos motivos mais significativos para o reconhecimento de sua importância é que Bispo do Rosário foi um artista de vanguarda, de forma absolutamente intuitiva, sem receber qualquer treinamento técnico, conviver com outros artistas, ler livros especializados ou frequentar espaços de arte.
Começou a produzir, de forma praticamente ininterrupta, a partir dos anos 40, e nesse trabalho incluiu elementos pop, movimento estético que só surgiria na Inglaterra por volta da década de 1960.
Sua genialidade expressa-se na forma como trabalha os elementos, os novos suportes utilizados, a configuração contemporânea de sua arte, a harmonia do conjunto das peças.
Arthur Bispo foi redescoberto a partir do trabalho do crítico Frederico Morais na década de 80, que organizou uma exposição e lançou uma possibilidade de compreensão e sistematização do conjunto da obra. Todavia, Rosário é desconhecido pela maioria do público brasileiro e, curiosamente, também em sua terra natal, Sergipe.
Pode-se pensar, afinal, que muitos grandes artistas plásticos são desconhecidos do grande público no Brasil, pelas características da formação e desenvolvimento educacional da população do país. No caso de Rosário, o que surpreende é que sua obra seja fácil de agradar qualquer observador.
Isso se deve a presença de um forte resultado lúdico nas peças, pelo colorido, formas, referências e pelos brinquedos que elaborou. Ademais a utilização de materiais e objetos do cotidiano possibilita que o apreciador se identifique.
Após o impacto inicial das primeiras exposições, foram escritos artigos, ensaios e trabalhos científicos diversos. Bispo do Rosário virou livro, peça de teatro e vai virar filme este ano, pelas mãos do cineasta Geraldo Motta. Muito ainda terá que ser feito para revelar a grandiosidade de sua produção artística.
NEGRO, POBRE, LOUCO
Arthur Bispo do Rosário, nasceu em Japaratuba – SE, no ano de 1909 (ou 1911, não se sabe ao certo), descendente de escravos africanos.
Em 1925, muda-se para o Rio de Janeiro e torna-se marinheiro. Foi campeão brasileiro e sul-americano de boxe na categoria peso leve pela Marinha.
Em seguida, passa a trabalhar na Light, empresa carioca de fornecimento de energia, e como lavador de bonde e borracheiro. Sofre um acidente de trabalho e resolve ajuizar uma ação contra a empresa, ocasião em que conhece o advogado Humberto Leoni, que passa a representá-lo na demanda judicial.
Começa a trabalhar na casa do advogado, como empregado doméstico, fazendo serviços diversos e residindo no local.
Na noite de 22 de dezembro de 1938, procura o patrão motivado por alucinações que lhe diziam que deveria apresentar-se à Igreja da Candelária. Peregrina pelas ruas, dirigindo-se a várias igrejas. Por fim, chega ao Mosteiro de São Bento, onde declara aos monges ser um enviado de Deus, incumbido da tarefa de julgar os vivos e os mortos.
É preso como indigente e demente, sendo conduzido ao Hospital dos Alienados, um hospício situado na Praia Vermelha. Um mês depois, é transferido para a Colônia Juliano Moreira, no bairro de Jacarepaguá, onde permaneceria por cerca de cinqüenta anos.
Foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóide - que é um dos quatro tipos principais dessa patologia -, caracterizada pela ocorrência de visões, alucinações, sentimentos de perseguição e em que é comum o doente escutar vozes (FRANÇA, 2007).
A partir desse período, começa a produzir seu trabalho artístico, motivado por um pedido de Deus para que reconstruísse o universo e registrasse a passagem divina pela terra.
Aí, começa a história de Bispo do Rosário como artista plástico.
Estima-se que elaborou cerca de 1.000 peças, que permaneceram como propriedade da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, hoje desativada comoo instituição manicomial e transformada no Museu Arthur Bispo do Rosário.
Bispo faleceu em 1989.
BORDANDO PASSADO E PRESENTE
O Ceará é famoso pela tradição do bordado e várias comunidades quilombolas no Estado são responsáveis por preservar a arte de tecer. A trama das peças, produzidas quase que exclusivamente por mulheres, foram ensinamentos passados pelos antepassados, formando várias gerações de rendeiras.
Rafaélla Xavier Soares, 18 anos, mora em Aquiraz, município da região metropolitana, distante 27 quilômetros de Fortaleza, mais precisamente na comunidade de Lagoa de Ramos. Lá, descobriu-se quilombola há menos de dois anos. “Nunca tinha ouvido falar em quilombos antes. Ouvi muito os mais velhos contando histórias sobre os primeiros moradores daqui, mas não sabia que eles eram escravos que lutavam pela liberdade”, conta ela.
Antes dessa revelação, porém, a jovem já cultivava a tradição do bordado, passado para ela pelas mais velhas da família. “Minha avó já fazia renda, ensinou para minha mãe e eu aprendi com elas. Sempre achei muito bonito”, diz Rafaélla, confirmando a resistência de várias gerações. “Assim como eu, tem muita gente jovem que vive do bordado.”
O produto é, junto da agricultura e da pesca, uma das fontes de sustento de diversas localidades cearenses e virou uma alternativa para as mulheres das comunidades litorâneas, enquanto esperavam seus maridos voltarem da pesca, que durava vários dias.
O artesanato da região se caracteriza por formas geométricas criadas em peças de linho. O tecido recebe uma espécie de goma para ficar mais rígido e depois é trabalhado à mão, seja cortando, desfiando ou cozendo, dependendo do efeito que se queira dar à renda.
Essa técnica, que também é conhecida por labirinto, faz muito sucesso entre os que visitam o Estado. “Tem gente que acha que a gente trabalha com máquina (de costura) de tão bom que fica o bordado”, lembra Rafaélla.
Segundo ela, o preço das peças pode variar de R$ 5 a R$ 300, dependendo do tamanho e do desenho. “A gente trabalha também com crochê e chega a ficar mais de um mês fazendo uma colcha de casal”, completa.
Ao contar como é a vida no local onde vive, Rafaélla acabou revelando muita influência dos antepassados negros no artesanato feito na região. “Nas comunidades de Lagoa de Ramos e Goiabeiras (outro remanescente de quilombo em Aquiraz), que fica próximo de lá, o bordado é muito bem feito e tem muita gente que vive disso”, comenta ela.
08/03/2011 - 07h03Exposição reúne várias vertentes do artista cearense Leonilson
SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Numa pintura de 1989, Leonilson construiu uma cartografia de rios que deságuam num círculo vermelho, entre eles o Tietê, o Paranapiacaba e outros braços que se chamam "Confusão", "Olhar Fundo", além de um lago azul de nome "Desejo".
Veja galeria de fotos com obras de Leonilson
Se fosse um autorretrato, algumas veias no mapa seriam Bispo do Rosário e Lygia Clark. Ele, pela loucura que guia a agulha nos traços e palavras dos bordados. Ela, pela dimensão cromática e do corpo que soube arquitetar com potência em sua obra.
Na exposição que o Itaú Cultural abre no próximo dia 16, em São Paulo, essas múltiplas vertentes da obra do artista aparecem costuradas pela leitura de seus trabalhos como repetidas e duras manifestações autobiográficas.
Leonilson, agora na maior mostra já dedicada à sua obra, é visto como o produto sofrido da solidão em mais de 300 trabalhos que construiu em sua curta carreira, abreviada pela morte aos 36 anos, por causa da Aids.
| Divulgação | ||
![]() | ||
| O artista plástico cearense Leonilson, morto em 1993, que é tema de retrospectiva no Itaú Cultural, em São Paulo |
DESPEDIDA
Embora descrito como sujeito "sempre apaixonado" pelo curador da mostra Ricardo Resende, essa leitura do artista abalado pelo peso do mundo também ressurge na retrospectiva como ser fragmentário, um neorromântico que foi ao mesmo tempo espelho de sua época.
No momento em que abandona, por uma alergia aos pigmentos, as pinturas em grande escala, que o fizeram despontar na chamada geração 80 ao lado de figuras como Leda Catunda e Sergio Romagnolo, Leonilson fez como espécie de despedida o trabalho dos rios, em que se colocou no centro de um forte turbilhão de influências.
Depois disso, sua obra se volta para pequenos desenhos e bordados delicados, que desafiam a escala dos espaços expositivos.
Não por acaso, esse momento é 1989, ano da queda do Muro de Berlim, do fim das utopias e perto da descoberta da doença que tiraria sua vida --ele chegou a se referir à Aids como "peste".
CRONISTA DA ÉPOCA
Tem uma coisa solene na obra dele", diz à Folha a curadora Lisette Lagnado, autora de "São Tantas as Verdades", livro que virou referência sobre o artista. "Mas, de fato, a atmosfera dessa época transparece no que ele vai escrever, no que estava acontecendo, ele foi um cronista."
Lagnado chama esse período de "grande ressaca" que veio depois do desbunde das conquistas sociais e políticas dos anos 80, de uma democracia em construção e seus valores mais flexíveis.
Na obra de Leonilson, são trabalhos como o bordado em que escreve numa fronha a palavra "ninguém". Ou a peça em que costura quatro quadrados de cor que chama de cheios e vazios, como um pulmão que respira movido por intervalos cromáticos.
"Não deixa de ser um retrato do corpo do artista, a respiração, algo que fala sobre estar vivo", diz o curador Ricardo Resende. "Ele foi muito solitário, tímido, mas essa solidão é também um espelhamento do homem contemporâneo, são sentimentos que tocam todos."
De fato, Leonilson se via um pouco com o rosto de sua época mais do que o homem específico que sofria em carne viva.
No trabalho mais antigo da mostra, um autorretrato, constrói uma caixa de madeira com tampo de vidro. Deixa ver dentro um pedaço de feltro com a inscrição "Mirro", referência à palavra francesa para "espelho".
É como se ele fosse ao mesmo tempo esse "homem contemporâneo", com o rosto anônimo de quem vê a obra.
"Por isso eu defendi com muito ardor o trabalho dele", lembra Sheila Leirner, que escalou Leonilson para a Bienal de São Paulo em 1985. "Senti que tinha uma grande verdade no trabalho dele."
Obra montada pela primeira vez naquela Bienal, "A Grande Pensadora" será reconstruída agora para a mostra do Itaú Cultural. É um símbolo do infinito estampado no chão, um globo terrestre sobre uma base encimado ainda por uma biruta que mostra a direção dos ventos.
Deixa ver que nas pinturas, nos desenhos e nos bordados, Leonilson se deixou levar por vários entroncamentos e rotas desde o início.
LEONILSON
QUANDO abertura dia 16, às 20h; de ter. a sex., das 9h às 20h; sáb. e dom., das 11h às 20h; até 29/5
ONDE Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 0/xx/11/2168-1776)
QUANTO grátis
domingo, 13 de março de 2011
Sim, a mulher pode!!!!!
Ciça Vallerio, de O Estado de S.Paulo

RICARDO STUCKERT FILHO/DIVULGAÇÃO
Dilma Rousseff, eleita com 65 milhões de votos
Apesar do número singelo, se confrontado aos 37 ministérios, o Brasil possui o quadro político mais feminino de sua história. "É um marco que põe luz sobre a força da mulher brasileira e sua capacidade para acabar com um conjunto de práticas discriminatórias e desigualdades", diz a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ela e as outras ministras falaram com exclusividade ao Feminino sobre essa nova fase da República. Com problemas de agenda, Dilma não pôde dar entrevista.
No segundo escalão, revela a ministra Iriny, os cargos preenchidos por mulheres cresceram 75%. Paralelamente à política, a presidente - ou presidenta, no feminino, como Dilma prefere ser chamada - tem se cercado de cada vez mais mulheres também no seu dia a dia.
No time escolhido a dedo para a chefe de Estado, estão as comissárias do avião presidencial. Coincidentemente, são nove sargentos da Força Aérea Brasileira (leia mais à página 8).
Lado a lado, estão, ainda, as novas ajudantes de ordens, que assumiram o lugar dos homens. As três militares ficam a postos para qualquer necessidade: desde carregar a pasta da presidente até resolver algum imprevisto. Por também zelar pela segurança da pessoa mais importante do País, não puderam dar entrevistas.
Indicadores. Para a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, a ampliação da participação das mulheres na vida política nacional não pode ser interpretada apenas como uma demanda das brasileiras. "É, mais do que isso, um déficit da democracia no Brasil", conclui. Pura verdade. De acordo com a cientista política Teresa Sacchet, do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), a qualidade da democracia de um país é medida por meio de indicadores associados à presença feminina na política, assim como a proteção de seus interesses.
"Há, evidentemente, algo de errado com um país, como o Brasil, em que a principal esfera legislativa é ocupada por apenas 8,6% de mulheres", avalia Teresa. A discriminação na vida pública, segundo ela, não é a do tipo simplista, como aquela que faz com que as mulheres não tenham as mesmas oportunidades que os homens só devido à condição sexual. Na política, o maior preconceito está embutido nas regras do jogo e nas estruturas, que valorizam e recompensam atributos tradicionalmente masculinos.
Campanhas. Embora as normas sejam consideradas neutras, o eleitor vota em quem conhece melhor ou pensa que conhece. Mas, para um candidato se tornar conhecido, precisa de dinheiro para a campanha. E, conforme aponta Teresa, as mulheres perdem nessa equação na medida em que suas campanhas são subfinanciadas. Isso dificulta muito a disputa e, consequentemente, a vitória das candidatas.
"Nas últimas eleições para o cargo de deputado federal, elas tiveram uma arrecadação média de R$ 77.501, enquanto a dos homens foi de R$ 211.677", revela Teresa. "Para deputado estadual, a diferença foi menor, mas também expressiva: as mulheres arrecadaram R$ 44.070 e eles, R$ 81.269."
Na opinião de José Eustáquio Diniz Alves, especialista em demografia e professor titular de mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE), é mais fácil achar chifre em cabeça de cavalo do que mulher em presidência de partido no Brasil. "As legendas são historicamente controladas por homens, têm práticas sexistas e não dão espaço às mulheres."
Um exemplo concreto disso é o descumprimento da lei que obriga os partidos a preencherem um mínimo de 30% das vagas com mulheres. Isso acontece porque a Justiça Eleitoral não penaliza os infratores. Para que a cota seja cumprida, seria necessário que se proibisse o registro das listas eleitorais incompletas. Na maioria deles, contudo, a participação feminina nas estruturas internas de liderança não ultrapassa 10%.
Mesmo não sendo obrigatório nesse caso, Dilma bem que tentou preencher os 30% com mulheres nos ministérios, que somariam 11. Não conseguiu. Para Alves, os partidos não colaboraram porque, com exceção do PT, só indicaram homens. "A pressão para colocar lideranças masculinas reduziu o espaço potencial feminino", afirma.
Embora a meta de paridade política na alta administração pública estabelecida internacionalmente seja de metade mulher e metade homem, o ranking mundial apontava para cerca de 30 países no mundo com taxas superiores a 30%. Portanto, ter uma presidente mulher e nove ministras - o que representa 24,32% - é um grande mérito, na opinião de todas as nomeadas.
"O maior impacto é o fato de todas as mulheres deste País, independentemente de sua classe social, idade, etnia ou região em que vivem, poderem se enxergar nos espaços de comando e acreditarem que caminhamos cada vez mais para uma sociedade em que a equidade de gênero seja absolutamente natural e não mais exceção", diz a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.
Porém, conforme observa a ministra da Secretaria de Igualdade Racial, Luiza Bairros, o olhar feminino não é diferenciado só pelo aspecto biológico, como se costuma dizer. "Ao longo do tempo, fomos construindo um ponto de vista a partir da posição social e cultural que ocupamos, geralmente nos patamares de maior desvantagem", afirma. "Isso nos traz percepções bem diferentes de quem viveu no topo. É um conhecimento fundamental para darmos conta e enxergarmos as principais questões da mulher brasileira."
Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social, recorda de sua infância para exemplificar a importância das conquistas recentes. "Quando era criança, achava que estava em desvantagem por ser mulher, mesmo tendo sido educada e estimulada pela minha família a ser uma profissional independente", conta. "Minha filha de 5 anos pensa diferente e diz: ‘Mamãe, que sorte que eu nasci mulher!’ Sinal dos novos tempos!"
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,brasilia-de-salto-alto,690262,0.htm
terça-feira, 1 de março de 2011
Gênero Humano
O gênero humano corre perigo. Diante dos acontecimentos: um louco com um carro potente,atropela ciclistas que estavam em uma passeata, pelo direito de andarem nas ruas.
Motoristas despreparados emocionalmente transformam carro em arma e em troféu, numa guerra inconsequente e injusta.
Esse texto nos ajuda a refletir sobre a ética do gênero humano ...
ÉTICA DO GÊNERO HUMANO.
Analisado as implicações condicionais ao ser humano, indivíduo/sociedade/espécie, chegamos ao núcleo de nosso propósito, a questão ética. Ora, os elementos acima trabalhados desembocam na necessidade de uma estruturação ética entendida como ciência do ethos, mas, que vem a ser o ethos?
Na acepção do termo, ethos exprime algo duradouro que regula os atos do ser humano, não se trata de uma lei imposta de fora ou de cima, antes, é algo que atua dentro do ser humano, uma forma interna, uma atitude de alma constante, aquilo que a escolástica chama de hábito. Tais atitudes constantes da alma conferem à variedade de comportamentos uma determinada marca homogênia, e é através dessa marca que eles se manifestam externamente.
Desde a filosofia clássica havia uma preocupação com o agir humano, com a ética, até então travou-se várias lutas teóricas para construção de uma ética universal, já que para sua efetivação faz-se necessário uma base comum universal . Para Edgar Morin a ética do séc. XXI está alicerçada na compreensão “a ética da compreensão é a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteresado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade” .
Essa percepção, só poderá existir munida de uma mudança de mentalidade, criar no ser humano uma prática de introspecção do auto-exame; uma conscientização da complexidade humana, numa abertura subjetiva empática e na interiorização da tolerância. “Desde então, a ética propriamente humana, ou seja, a antropo-ética deve ser considerada como a ética da cadeia de três termos: indivíduo/sociedade/espécie, de onde emerge nossa consciência e nosso espírito propriamente humano.”
O que Morin propõe é na verdade uma revolução paradigmática em toda a esfera do ser humano, sua proposta estabelece a revolução antropológica pós-moderna. O homem, agora consciente de seu todo, aberto ao diferente, passa a assumir o trabalho de humanização da humanidade, alcançando a unidade na diversidade por meio da solidariedade da compreensão respeitando no outro a diferença e a identidade. Conforme Morin,
A antropo-ética compreende, assim, a esperança na completude da humanidade, como consciência e cidadania planetária. Compreende, por conseguinte, como toda ética, aspiração e verdade, mas também aposta no incerto. Ela é consciência individual além da individualidade.
Todo esse processo culminará na democracia que para ele não é um simples regime político, “é a regeneração contínua de uma cadeia complexa e retroativa: os cidadãos produzem a democracia que produz cidadãos.”
Fonte: http://www.webartigos.com/articles/23481/1/A-ETICA-DO-GENERO-HUMANO-COMO-SABER-NECESSARIO-A-EDUCACAO-DO-FUTURO/pagina1.html#ixzz1FPBCpSt4
Analisado as implicações condicionais ao ser humano, indivíduo/sociedade/espécie, chegamos ao núcleo de nosso propósito, a questão ética. Ora, os elementos acima trabalhados desembocam na necessidade de uma estruturação ética entendida como ciência do ethos, mas, que vem a ser o ethos?
Na acepção do termo, ethos exprime algo duradouro que regula os atos do ser humano, não se trata de uma lei imposta de fora ou de cima, antes, é algo que atua dentro do ser humano, uma forma interna, uma atitude de alma constante, aquilo que a escolástica chama de hábito. Tais atitudes constantes da alma conferem à variedade de comportamentos uma determinada marca homogênia, e é através dessa marca que eles se manifestam externamente.
Desde a filosofia clássica havia uma preocupação com o agir humano, com a ética, até então travou-se várias lutas teóricas para construção de uma ética universal, já que para sua efetivação faz-se necessário uma base comum universal . Para Edgar Morin a ética do séc. XXI está alicerçada na compreensão “a ética da compreensão é a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteresado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade” .
Essa percepção, só poderá existir munida de uma mudança de mentalidade, criar no ser humano uma prática de introspecção do auto-exame; uma conscientização da complexidade humana, numa abertura subjetiva empática e na interiorização da tolerância. “Desde então, a ética propriamente humana, ou seja, a antropo-ética deve ser considerada como a ética da cadeia de três termos: indivíduo/sociedade/espécie, de onde emerge nossa consciência e nosso espírito propriamente humano.”
O que Morin propõe é na verdade uma revolução paradigmática em toda a esfera do ser humano, sua proposta estabelece a revolução antropológica pós-moderna. O homem, agora consciente de seu todo, aberto ao diferente, passa a assumir o trabalho de humanização da humanidade, alcançando a unidade na diversidade por meio da solidariedade da compreensão respeitando no outro a diferença e a identidade. Conforme Morin,
A antropo-ética compreende, assim, a esperança na completude da humanidade, como consciência e cidadania planetária. Compreende, por conseguinte, como toda ética, aspiração e verdade, mas também aposta no incerto. Ela é consciência individual além da individualidade.
Todo esse processo culminará na democracia que para ele não é um simples regime político, “é a regeneração contínua de uma cadeia complexa e retroativa: os cidadãos produzem a democracia que produz cidadãos.”
Fonte: http://www.webartigos.com/articles/23481/1/A-ETICA-DO-GENERO-HUMANO-COMO-SABER-NECESSARIO-A-EDUCACAO-DO-FUTURO/pagina1.html#ixzz1FPBCpSt4
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Tema de Lara
Quando fiquei sabendo do texto de Adorno, acerca de seu estudo sobre a educação que levou a humanidade ao Holocausto, queria que todos tivessem acesso a esse texto e a essa reflexão. Nossa educação passa por essa intolerância e é interessante que se conheçam os caminhos que ajudaram para que essa barbárie tenha acontecido e também para que não ocorra novamente.
No texto, uma educação além do narcisismo...há uma reflexão sobre essa educação que leva o indivíduo a não ir além do seu próprio umbigo, achando que não existe nada além de suas necessidades.
Quando se fala em inclusão, pensa-se de imediato numa deficiência, mas diante da notícia que o Estadão publicou domingo sobre uma jornalista que estava trabalhando no Egito, cobrindo um incidente e que, num aglomerado de pessoas, foi envolvida na multidão e levada a um canto, onde foi estuprada. Foi salva porque algumas mulheres viram e começaram a gritar e ela acabou saindo daquela situação. Agora, refletindo, quase toda ação que envolve a presença da mulher pode levar ao abuso sexual. É chocante que em pleno século 21 existam homens em estado tão primitivo que se acham no direito de pegar a fêmea que quiser e copular com ela, com aprovação ou não. Isso em termos de relacionamento animal, de bicho para bicho e não de ser humano, que envolve respeito, dignidade, ética e, além de tudo, a questão de relacionamento envolve o ser aceito ou não, o querer estar com alguém.
Mesmo quando não se chega às vias de fato, tal atitude humilha e expõe o gênero feminino a situações que denigrem a sua imagem;...como em outro caso recente em que uma policial teve as calças arrancadas por outros colegas homens que procuravam por dinheiro que ela teria recebido; note-se que ela não se recusava a ser revistada, desde que por uma mulher. Não adiantou! Ela foi brutalmente agarrada e teve as calças arrancadas na frente de todos e tudo foi filmado para que o vexame fosse maior. Estamos em pleno século 21 e ainda vemos repetidos esses comportamentos em que o “gênero dominante” se acha no direito de se sobrepor a quem é considerado inferior. Que educação é essa que, se não é totalmente responsável por absurdos dessa natureza, é compactuante e se serve desse poder para fazer, no mínimo, o que no fundo concorda.
(.trecho da repostagem...)
"Há ainda os que culparam a própria Lara pela agressão. Nessa linha, o comentarista conservador Jim Hoft perguntou: por que essa mulher loira e atraente perambulava pela Praça Tahrir? "Foi sua mentalidade liberal que quase a matou. Essa repórter nunca mais será igual." Numa enquete da Approval Pools, 4.100 pessoas, 51% do total, acharam que a jornalista era mesmo a responsável pelo próprio martírio. Por fim, uma avalanche de críticas despencou sobre os cabeças das empresas de jornalismo, que não fariam o suficiente para assegurar a integridade de seus profissionais no fogo cruzado da notícia. "
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