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domingo, 13 de março de 2011

Sim, a mulher pode!!!!!

Ciça Vallerio, de O Estado de S.Paulo

RICARDO STUCKERT FILHO/DIVULGAÇÃO
RICARDO STUCKERT FILHO/DIVULGAÇÃO
Dilma Rousseff, eleita com 65 milhões de votos
"Sim, a mulher pode!" A frase proferida no primeiro discurso de Dilma Rousseff continua ecoando pelo País. Desde que assumiu a chefia do governo federal e se tornou a primeira mulher a conquistar a cadeira presidencial, ela não só selou um fato histórico sem precedentes no Brasil como também impulsionou o acesso feminino ao alto escalão público. A nomeação de nove ministras fez com que o Executivo federal alcançasse um recorde. No mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, até então o melhor índice, foram cinco - entre elas, a própria Dilma.

Apesar do número singelo, se confrontado aos 37 ministérios, o Brasil possui o quadro político mais feminino de sua história. "É um marco que põe luz sobre a força da mulher brasileira e sua capacidade para acabar com um conjunto de práticas discriminatórias e desigualdades", diz a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ela e as outras ministras falaram com exclusividade ao Feminino sobre essa nova fase da República. Com problemas de agenda, Dilma não pôde dar entrevista.

No segundo escalão, revela a ministra Iriny, os cargos preenchidos por mulheres cresceram 75%. Paralelamente à política, a presidente - ou presidenta, no feminino, como Dilma prefere ser chamada - tem se cercado de cada vez mais mulheres também no seu dia a dia.

No time escolhido a dedo para a chefe de Estado, estão as comissárias do avião presidencial. Coincidentemente, são nove sargentos da Força Aérea Brasileira (leia mais à página 8).

Lado a lado, estão, ainda, as novas ajudantes de ordens, que assumiram o lugar dos homens. As três militares ficam a postos para qualquer necessidade: desde carregar a pasta da presidente até resolver algum imprevisto. Por também zelar pela segurança da pessoa mais importante do País, não puderam dar entrevistas.

Indicadores.
Para a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, a ampliação da participação das mulheres na vida política nacional não pode ser interpretada apenas como uma demanda das brasileiras. "É, mais do que isso, um déficit da democracia no Brasil", conclui. Pura verdade. De acordo com a cientista política Teresa Sacchet, do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), a qualidade da democracia de um país é medida por meio de indicadores associados à presença feminina na política, assim como a proteção de seus interesses.

"Há, evidentemente, algo de errado com um país, como o Brasil, em que a principal esfera legislativa é ocupada por apenas 8,6% de mulheres", avalia Teresa. A discriminação na vida pública, segundo ela, não é a do tipo simplista, como aquela que faz com que as mulheres não tenham as mesmas oportunidades que os homens só devido à condição sexual. Na política, o maior preconceito está embutido nas regras do jogo e nas estruturas, que valorizam e recompensam atributos tradicionalmente masculinos.

Campanhas
. Embora as normas sejam consideradas neutras, o eleitor vota em quem conhece melhor ou pensa que conhece. Mas, para um candidato se tornar conhecido, precisa de dinheiro para a campanha. E, conforme aponta Teresa, as mulheres perdem nessa equação na medida em que suas campanhas são subfinanciadas. Isso dificulta muito a disputa e, consequentemente, a vitória das candidatas.

"Nas últimas eleições para o cargo de deputado federal, elas tiveram uma arrecadação média de R$ 77.501, enquanto a dos homens foi de R$ 211.677", revela Teresa. "Para deputado estadual, a diferença foi menor, mas também expressiva: as mulheres arrecadaram R$ 44.070 e eles, R$ 81.269."

Na opinião de José Eustáquio Diniz Alves, especialista em demografia e professor titular de mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE), é mais fácil achar chifre em cabeça de cavalo do que mulher em presidência de partido no Brasil. "As legendas são historicamente controladas por homens, têm práticas sexistas e não dão espaço às mulheres."

Um exemplo concreto disso é o descumprimento da lei que obriga os partidos a preencherem um mínimo de 30% das vagas com mulheres. Isso acontece porque a Justiça Eleitoral não penaliza os infratores. Para que a cota seja cumprida, seria necessário que se proibisse o registro das listas eleitorais incompletas. Na maioria deles, contudo, a participação feminina nas estruturas internas de liderança não ultrapassa 10%.

Mesmo não sendo obrigatório nesse caso, Dilma bem que tentou preencher os 30% com mulheres nos ministérios, que somariam 11. Não conseguiu. Para Alves, os partidos não colaboraram porque, com exceção do PT, só indicaram homens. "A pressão para colocar lideranças masculinas reduziu o espaço potencial feminino", afirma.

Embora a meta de paridade política na alta administração pública estabelecida internacionalmente seja de metade mulher e metade homem, o ranking mundial apontava para cerca de 30 países no mundo com taxas superiores a 30%. Portanto, ter uma presidente mulher e nove ministras - o que representa 24,32% - é um grande mérito, na opinião de todas as nomeadas.

"O maior impacto é o fato de todas as mulheres deste País, independentemente de sua classe social, idade, etnia ou região em que vivem, poderem se enxergar nos espaços de comando e acreditarem que caminhamos cada vez mais para uma sociedade em que a equidade de gênero seja absolutamente natural e não mais exceção", diz a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Porém, conforme observa a ministra da Secretaria de Igualdade Racial, Luiza Bairros, o olhar feminino não é diferenciado só pelo aspecto biológico, como se costuma dizer. "Ao longo do tempo, fomos construindo um ponto de vista a partir da posição social e cultural que ocupamos, geralmente nos patamares de maior desvantagem", afirma. "Isso nos traz percepções bem diferentes de quem viveu no topo. É um conhecimento fundamental para darmos conta e enxergarmos as principais questões da mulher brasileira."

Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social, recorda de sua infância para exemplificar a importância das conquistas recentes. "Quando era criança, achava que estava em desvantagem por ser mulher, mesmo tendo sido educada e estimulada pela minha família a ser uma profissional independente", conta. "Minha filha de 5 anos pensa diferente e diz: ‘Mamãe, que sorte que eu nasci mulher!’ Sinal dos novos tempos!"
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,brasilia-de-salto-alto,690262,0.htm

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